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Julgamento de dois ex-dirigentes da Enron abre com selecção do júri

Julgamento de dois ex-dirigentes da Enron abre com selecção do júri

O julgamento de Kenneth Lay e JeffreY Skilling, os dois principais ex-dirigentes da empresa energética Enron, que faliu em 2001 e protagonizou um dos maiores escândalos financeiros nos Estados Unidos, abriu hoje em Houston (Texas, Sul).

Agência LUSA /

O fundador da empresa, Kenneth Lay, e aquele que foi o seu principal director, Jeffrey Skilling, compareceram hoje perante um tribunal federal em Houston - a poucos passos da sede da Enron -, que iniciou a selecção dos 12 membros do júri e quatro suplentes.

Uma vez estabelecido o júri, o que se espera ocorra hoje, prevê-se que o julgamento, a cargo do juiz Sim Lake, comece terça- feira.

Lay e Skilling são acusados de várias dezenas de crimes, que incluem fraude e conspiração, e incorrem em pesadas penas de prisão e multas de milhões de dólares, mas declaram-se inocentes e afirmam que nada fizeram de ilegal.

Kenneth Lay, 63 anos, entrou no tribunal dando a mão à mulher, Linda, e sem fazer comentários. Jeffrey Skilling, 52 anos, chegou com o seu advogado, Daniel Petrocelli. Interrogado sobre o seu estado de espírito, respondeu: "Vai bem".

Petrocelli manifestou a esperança de que, apesar da publicidade do caso, se consiga um júri imparcial que garanta um julgamento justo para o seu cliente.

As autoridades acusam os membros da direcção da Enron de, entre outras irregularidades financeiras, terem criado uma teia de sociedades paralelas em paraísos fiscais que faziam negócios fictícios com a empresa a fim de aumentar artificialmente o seu volume de negócios.

Calcula-se que a Enron tinha um valor em bolsa de 68.000 milhões de dólares, que se desvaneceram da noite para o dia juntamente com 800 milhões de dólares em pensões dos seus mais de 5.000 empregados, que ficaram na ruína.

A falência do grupo, outrora uma das multinacionais mais importantes dos Estados Unidos, sacudiu os alicerces de Wall Street e suscitou numerosas audiências no Legislativo que aprovou uma das maiores reformas do sistema financeiro do país e desencadeou importantes medidas de saneamento das empresas norte-americanas.

Um total de 16 ex-executivos da Enron declararam-se culpados no caso de corrupção e tráfico de influências e comprometeram-se a colaborar com o Ministério Público.

Entre eles está Andrew Fastow, 44 anos, antigo responsável financeiro do grupo, que pôs em marcha uma estrutura complexa de sociedades fictícias para inflacionar os lucros no âmbito de um elaborado plano para ocultar a verdadeira situação financeira do grupo.

Declarou-se culpado e foi condenado em Janeiro de 2004 a dez anos de prisão e a uma multa de 23 milhões de dólares, mas aceitou cooperar com a Justiça.

O testemunho de Fastow é chave para o Governo, já que este disse que Lay e Skilling não só estavam a par do plano para alterar os livros de contabilidade da Enron, como também o aprovaram.

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