Júri condena homem acusado de comandar esquadra ilegal chinesa em Nova Iorque

Júri condena homem acusado de comandar esquadra ilegal chinesa em Nova Iorque

Um homem acusado de comandar uma esquadra ilegal chinesa num edifício comercial discreto no bairro de Chinatown, em Manhattan, Nova Iorque, no nordeste dos Estados Unidos, foi condenado por atuar como agente estrangeiro.

Lusa /
Lu Jianwang, residente em Nova Iorque, condenado por conspiração para agir como agente da China e de obstrução à justiça | Foto: Reuters

Lu Jianwang foi ainda condenado por obstrução à justiça ao apagar mensagens de texto que, segundo os procuradores norte-americanos, continham ordens de Pequim para silenciar, assediar e intimidar dissidentes pró-democracia.

Também na quarta-feira, o homem de 64 anos foi absolvido de uma acusação relacionada de conspiração.

"Uma esquadra de polícia que operava na cidade de Nova Iorque sob as ordens do Governo chinês foi exposta, o seu propósito sinistro foi interrompido e o seu fundador foi responsabilizado por desrespeitar flagrantemente a lei e a soberania do nosso país", disse o procurador Joseph Nocella Jr.

Durante o julgamento, que durou uma semana no tribunal federal de Brooklyn, a defesa alegou que o Ministério Público distorceu o que considerou ser um deslize burocrático bem-intencionado de um líder da comunidade de origem chinesa para o deter.

O advogado de Lu, John Carman, disse que os procuradores federais trataram como um thriller de espionagem internacional um caso burocrático banal.

A defesa disse que o homem se limitou a ajudar membros da diáspora chinesa a renovar as cartas de condução chinesas.

Lu, cidadão norte-americano há décadas, irá permanecer em liberdade sob fiança enquanto aguarda a sentença.

O homem pode ser condenado a penas de até 10 anos de prisão por atuar como agente estrangeiro ilegal e de até 20 anos de prisão por obstrução à justiça.

De acordo com os procuradores, Lu e o co-réu Chen Jinping estabeleceram o posto em 2022, depois de Lu ter participado numa cerimónia na província natal, Fujian, no sudeste da China, onde o Ministério da Segurança Pública chinês anunciou a abertura de 30 esquadras secretas semelhantes em todo o mundo.

Em 2022, a organização não-governamental (ONG) Safeguard Defenders acusou a China de manter meia centena de "centros de serviço policial" em vários países, incluindo Portugal, para perseguir dissidentes ou pessoas fugidas à justiça.

Através dessas "esquadras ilegais", 230 mil chineses nessas condições terão sido persuadidos a regressar à China entre abril de 2021 e julho de 2022, segundo a ONG com sede em Madrid.

Na sequência das denúncias, foram confirmadas anteriormente investigações da justiça em Portugal, Países Baixos e Canadá.

A China rejeitou as acusações e o Ministério dos Negócios Estrangeiros disse que as estruturas "são, na verdade, centros de serviços para chineses no estrangeiro".

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