Justiça eleitoral no Brasil quer selo de exatidão para empresas de sondagens de voto
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) brasileiro anunciou na terça-feira a intenção de criar um selo de precisão eleitoral para premiar os institutos de sondagens de intenção de voto que mais acertarem os resultados das eleições.
A proposta foi apresentada pelo presidente do TSE, juiz Kássio Nunes Marques, numa reunião com representantes de 16 empresas de sondagens de intenção de voto no país, que reagiram negativamente à iniciativa.
"É chegado o momento da Justiça Eleitoral laurear as empresas que a cada ciclo dedicam os seus maiores esforços em favor da democracia", afirmou.
Nunes Marques adiantou que o nome provisório da distinção é "Selo Acurácia Eleitoral" e que a iniciativa é destinada "ao reconhecimento das entidades cujas estimativas apresentem o maior grau de aderência aos resultados oficiais das eleições".
"Trata-se de um mecanismo que visa a valorização das boas práticas, e o permanente aperfeiçoamento técnico das pesquisas eleitorais por meio de reconhecimento das empresas que apresentaram acurácia (precisão) nos resultados", completou.
Segundo a minuta, obtida pela Lusa, as distinções excluem institutos condenados por fraude e que não adotem requisitos técnicos.
O presidente do TSE suspendeu em junho a divulgação do resultado de uma sondagem de intenção de voto, por suspeita de condicionamento dos eleitores. A sondagem incluía perguntas relacionando com o senador e pré-candidato a Presidente Flávio Bolsonaro e alguns casos públicos.
A proposta do TSE de criar um selo foi alvo de críticas de várias empresas do segmento.
Em nota enviada à Lusa, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), afirmou que a proposta de se criar um selo "parte de uma premissa equivocada" e que as "pesquisas medem a intenção de voto no momento em que são realizadas", não são "previsões nem promessas de resultado".
A Abep diz ainda que exigir que uma sondagem de intenção de voto "acerte o resultado é confundir ciência com bola de cristal".
A nota da entidade destaca ainda que a medida pode estimular institutos a ajustar números para acompanhar o consenso, em vez de realizar sondagens rigorosas.
A Abep defende que a qualidade das pesquisas seja avaliada pela metodologia, transparência e boas práticas científicas.
"Causa especial preocupação que a Justiça Eleitoral pretenda assumir o papel de árbitro da qualidade das pesquisas a partir de um critério tecnicamente equivocado", informou a entidade.