Justiça recusa proposta de mais de 20 milhões de euros para extraditar traficante colombiano
Brasília, 16 Jan (Lusa) - Um tribunal federal do Brasil recusou hoje a proposta de acordo do traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadía, que oferecia entre 20 milhões a 26 milhões de euros, além da entrega de mais quatro cúmplices, a troco da sua extradição para os Estados Unidos.
Abadía, que está numa penitenciária de segurança máxima no Estado do Mato Grosso do Sul, pretendia também que fossem retiradas as acusações contra a mulher, Yessica Paola Rojas Morales.
O casal foi detido em Agosto de 2007 num condomínio de luxo da região metropolitana de São Paulo.
O colombiano é acusado de enviar mais de 1.000 toneladas de cocaína para os Estados Unidos nos últimos dez anos e apontado como o mandante de 15 homicídios nos Estados Unidos e mais de 300 assassínios na Colômbia.
Segundo a procuradora Thaméa Valiengo, o juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, recusou o acordo proposto por Abadía, porque "preferiu ficar livre para proferir a sentença no final do processo do modo que achar melhor".
"Esse dinheiro poderia ser revertido para a área social, organizações não-governamentais, infra-estrutura da Justiça e outros fins", lamentou a procuradora.
Thaméa Valiengo não se opunha ao acordo por considerar que a extradição para os Estados Unidos da América não impediria que Abadía deixasse de cumprir pena, já que em território norte-americano é acusado de homicídio e tráfico de droga.
No Brasil, as acusações contra o traficante, que possui uma fortuna avaliada em mais de 1,8 mil milhões de dólares em dinheiro e propriedades, são de lavagem de dinheiro, crime organizado e uso de documentos falsos.
A decisão final de extraditar Abadía cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF), que está a analisar um pedido feito nesse sentido pelos Estados Unidos.
Abadía acredita que quanto mais rápido pisar território norte-americano, mais fácil será negociar uma redução de pena através da entrega de mais dinheiro, além de que é seu objectivo evitar cumprir pena nos cárceres brasileiros.