Mundo
Kiev acusa Moscovo de desencadear "plano para desmembrar a Ucrânia"
A última vaga de ocupações de edifícios públicos no leste da Ucrânia levou esta segunda-feira o primeiro-ministro ucraniano a acusar Moscovo de ter em marcha um “plano para desmembrar” o país vizinho. Arseny Iatseniuk, que enviou o ministro do Interior e o vice-primeiro-ministro com a pasta da segurança a Kharkiv e a Donetsk, onde os manifestantes pró-Rússia arriscaram já proclamar uma “república soberana”, aponta ao Kremlin a autoria de um verdadeiro guião de fratura entre ucranianos.
Houve um quadro comum, no domingo, às cidades de Kharkiv, Lugansk e Donetsk, no leste da Ucrânia – manifestantes declaradamente pró-Moscovo, muitos com os rostos cobertos, tomaram de assalto e ocuparam edifícios das administrações locais ou mesmo de serviços de segurança, substituindo as bandeiras ucranianas pelas cores russas; alguns reivindicaram para as suas regiões referendos nos moldes da consulta popular que conduziu a Crimeia à integração na Federação Russa.
A meio da ocupação da Crimeia, na contagem decrescente para o referendo que em março faria regressar aquele território autónomo à esfera de poder regional de Moscovo, o Presidente russo, Vladimir Putin, comprometeu-se em público a defender “por todos os meios” as populações russófonas de antigas repúblicas soviéticas. Uma “anexação” foi o que o que o ocidente viu no processo da Crimeia.
Na sequência destes acontecimentos, o Governo interino da Ucrânia reuniu-se de emergência. E foi após esta reunião do Executivo que o primeiro-ministro ucraniano remeteu a Moscovo todas as responsabilidades pela situação volátil no leste do país.
As ocupações de domingo, acusou Arseny Iatseniuk, seriam parte de um “plano para desestabilizar a situação, para que um exército estrangeiro passe a fronteira e invada o território ucraniano”.
“Não o permitiremos”, quis asseverar o antigo banqueiro que assumiu as rédeas do poder executivo da Ucrânia após o colapso do regime do Presidente Viktor Ianukovich, a 22 de fevereiro. O que está em curso, insistiu Iatseniuk, é um “cenário escrito pela Federação Russa”, cujo “único objetivo é o de desmembrar a Ucrânia”.
Perante o crescendo de tensão a leste, o ministro ucraniano do Interior, Arsen Avakov, e o vice-primeiro-ministro com a tutela da segurança, Vitali Iarema, foram despachados, respetivamente, para Kharkiv e Donetsk. Sem mais detalhes, Avakov recorreu entretanto às redes sociais para adiantar que o edifício da administração regional de Kharkiv teria já sido “completamente limpo de separatistas”.
Garrote russo
Já em Donetsk os manifestantes mantinham-se, ao início da manhã, no interior do edifício-sede da administração local, de acordo com as agências internacionais. Onde chegaram a proclamar uma “república soberana”. Havia também notícia de movimentações noturnas de ativistas pró-Rússia em instalações dos serviços de segurança ucranianos.
Em novo aviso com Kiev por destinatária, o Presidente russo ordenou aos serviços secretos que se mantenham em alerta contra eventuais ataques terroristas. Putin afirmou também, numa intervenção citada pela agência Interfax, que a Rússia deve impedir que organizações não-governamentais sejam usadas com propósitos “destrutivos”: “Tal como na Ucrânia”.

Foto: Mikhail Klimetyev, Ria Novosti/ Reuters
Enquanto se encaminha para eleições presidenciais, a 25 de maio, a Ucrânia vê-se cada vez mais enredada, por outro lado, nas malhas de uma acentuada crise económica. E o horizonte próximo adivinha-se sombrio, depois do anúncio, na semana passada, de um agravamento em 80 por cento do preço das remessas de gás russo, uma medida vista como “pressão política” pelas novas autoridades de Kiev.
Invocando razões sanitárias, Moscovo suspendeu já esta segunda-feira a importação de parte da produção de lacticínios da Ucrânia, designadamente queijo e manteiga. Tratou-se, na versão da agência federal Rospotrebnadzor, de velar pela “garantia dos direitos do consumidor”.
A meio da ocupação da Crimeia, na contagem decrescente para o referendo que em março faria regressar aquele território autónomo à esfera de poder regional de Moscovo, o Presidente russo, Vladimir Putin, comprometeu-se em público a defender “por todos os meios” as populações russófonas de antigas repúblicas soviéticas. Uma “anexação” foi o que o que o ocidente viu no processo da Crimeia.
Na sequência destes acontecimentos, o Governo interino da Ucrânia reuniu-se de emergência. E foi após esta reunião do Executivo que o primeiro-ministro ucraniano remeteu a Moscovo todas as responsabilidades pela situação volátil no leste do país.
As ocupações de domingo, acusou Arseny Iatseniuk, seriam parte de um “plano para desestabilizar a situação, para que um exército estrangeiro passe a fronteira e invada o território ucraniano”.
“Não o permitiremos”, quis asseverar o antigo banqueiro que assumiu as rédeas do poder executivo da Ucrânia após o colapso do regime do Presidente Viktor Ianukovich, a 22 de fevereiro. O que está em curso, insistiu Iatseniuk, é um “cenário escrito pela Federação Russa”, cujo “único objetivo é o de desmembrar a Ucrânia”.
Perante o crescendo de tensão a leste, o ministro ucraniano do Interior, Arsen Avakov, e o vice-primeiro-ministro com a tutela da segurança, Vitali Iarema, foram despachados, respetivamente, para Kharkiv e Donetsk. Sem mais detalhes, Avakov recorreu entretanto às redes sociais para adiantar que o edifício da administração regional de Kharkiv teria já sido “completamente limpo de separatistas”.
Garrote russo
Já em Donetsk os manifestantes mantinham-se, ao início da manhã, no interior do edifício-sede da administração local, de acordo com as agências internacionais. Onde chegaram a proclamar uma “república soberana”. Havia também notícia de movimentações noturnas de ativistas pró-Rússia em instalações dos serviços de segurança ucranianos.
Em novo aviso com Kiev por destinatária, o Presidente russo ordenou aos serviços secretos que se mantenham em alerta contra eventuais ataques terroristas. Putin afirmou também, numa intervenção citada pela agência Interfax, que a Rússia deve impedir que organizações não-governamentais sejam usadas com propósitos “destrutivos”: “Tal como na Ucrânia”.
Foto: Mikhail Klimetyev, Ria Novosti/ Reuters
Enquanto se encaminha para eleições presidenciais, a 25 de maio, a Ucrânia vê-se cada vez mais enredada, por outro lado, nas malhas de uma acentuada crise económica. E o horizonte próximo adivinha-se sombrio, depois do anúncio, na semana passada, de um agravamento em 80 por cento do preço das remessas de gás russo, uma medida vista como “pressão política” pelas novas autoridades de Kiev.
Invocando razões sanitárias, Moscovo suspendeu já esta segunda-feira a importação de parte da produção de lacticínios da Ucrânia, designadamente queijo e manteiga. Tratou-se, na versão da agência federal Rospotrebnadzor, de velar pela “garantia dos direitos do consumidor”.