Lançamento de foguetão falhado embaraça a Coreia do Norte

Lançamento de foguetão falhado embaraça a Coreia do Norte

Uma alegada "missão espacial" que o Ocidente encarava há várias semanas como mais um gesto de provocação terminou em embaraço para o regime norte-coreano, depois de um foguetão que transportava um satélite - na versão de Pyongyang - se ter desintegrado minutos após o lançamento. Contudo, apesar do fracasso, a comunidade internacional condena a iniciativa e a Coreia do Norte poderá enfrentar mais sanções.

Mara Gonçalves, RTP /
KNCA

Às 7h39 (23h39 de quinta-feira em Lisboa), o foguetão "Unha-3" foi lançado a partir da base de Tongchang-ri pelas forças norte-coreanas, num movimento que pretendia marcar o 100.º aniversário do nascimento do fundador Kim Il-sung, mas encarado pelo Ocidente como uma provocação e violação de resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU).
A Coreia do Norte tinha anunciado que se preparava para lançar um foguetão, que transportaria um satélite de observação terrestre com fins civis, para celebrar o centenário do nascimento de Kim Il Sung, o fundador do país e avô do atual líder.

Os Estados Unidos e outros países encaram o lançamento como um ensaio camuflado de um míssil, proibido por várias resoluções da ONU.

Contudo, depois de voar durante mais de um minuto, o foguetão de longo alcance desintegrou-se no ar, desfazendo-se em pedaços no Mar Amarelo e no orgulho da nação liderada por Kim Jong-un.

Horas depois, Pyongyang confirmava que “o satélite não conseguiu entrar em órbita”, anunciando que “cientistas e técnicos estão agora a apurar as causas do falhanço”, divulgou a agência estatal KCNA. Antes, já a Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão tinham avançado a possibilidade de o lançamento ter fracassado.

A marinha da Coreia do Sul afirmou entretanto ter localizado “o lugar onde caíram os destroços” do projétil e está a “envidar esforços para os resgatar”, afirmou um porta-voz do exército sul-coreano em declarações à agência AFP.
Em 2009, a Coreia do Norte realizou o lançamento de um foguete semelhante. Na altura, EUA e Coreia do Sul afirmaram que o foguetão também não tinha conseguido atingir a órbita, mas Pyongyang disse ter sido um sucesso.
Apesar do fracasso, o Conselho de Segurança da ONU deverá reunir-se de emergência esta sexta-feira "para decidir as próximas etapas" após o lançamento do foguetão pela Coreia do Norte, considerado pelos Estados Unidos e por outros países como um ensaio camuflado de um míssil.

Inicialmente, as previsões indicavam que o foguetão sobrevoaria as ilhas de Okinawa (sul do Japão), levando Tóquio a ativar um plano de contingência para derrubar o projétil, implantando o seu sistema de defesa que inclui mísseis terra-ar, caças F-15 e navios, mobilizando para o terreno cerca de 800 soldados.
Ato “deplorável” e “provocador”
O lançamento do foguetão, ainda que tenha falhado, “é deplorável” e constitui “uma violação direta” do estipulado pela resolução 1874 do Conselho de Segurança da ONU, afirmou esta sexta-feira o secretário-geral da organização em comunicado. Ban Ki-moon não esclareceu se a Coreia do Norte, proibida de lançar qualquer tipo de foguetão ou míssil, sofrerá alguma sanção.

No entanto, os ministros dos Negócios Estrangeiros do G8 já vieram pedir em comunicado uma "resposta adequada" da ONU face ao lançamento norte-coreano, condenando um ato que “mina a paz e a estabilidade regionais".

Os chefes de diplomacia do bloco das sete nações mais industrializadas do mundo (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Canadá e Itália) e a Rússia pediram à Coreia do Norte que se abstivesse de novos lançamentos com uso de tecnologia de mísseis balísticos e outras ações que agravem a situação na Península Coreana.
No início do mês, o Japão decidiu prorrogar por outro ano as sanções comerciais que mantém desde 2006 contra a Coreia do Norte que preveem o bloqueio das importações e exportações com o regime de Pyongyang.

O Japão implantou o embargo às relações comerciais com a Coreia depois de o país ter testado sete mísseis, um dos quais de longo alcance, que atingiu o mar perto da costa japonesa.

Num comunicado, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou que qualquer atividade envolvendo mísseis por parte da Coreia do Norte constitui uma “ação provocatória" e preocupa a comunidade internacional, sendo que Washington já tinha alertado que o lançamento colocaria em risco o plano de ajuda alimentar.

Também o Japão, a Alemanha e o Reino Unido condenaram publicamente a iniciativa norte-coreana, com o Governo japonês a não descartar a possibilidade de aplicar novas sanções contra o país, à margem da decisão da ONU.

Já a China, principal aliada de Pyongyang, apelou à "calma" e à "contenção" de “todas as partes”, para que nada seja feito que “possa prejudicar a paz e a estabilidade da península [coreana] e da região", frisou o porta-voz da diplomacia chinesa, Liu Weimin.
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