Leão XIV chega hoje a Madrid com imigração no centro da agenda

Leão XIV chega hoje a Madrid com imigração no centro da agenda

O Papa Leão XIV chega este sábado a Espanha para "uma viagem apostólica" de carga política inédita, com um discurso no parlamento nacional e dois dias dedicados à imigração e ao fenómeno das `pateras`.

RTP /

Esta é a primeira visita de um papa a Espanha em 15 anos e Leão XIV vai concretizar o desejo do antecessor Francisco de ir às Canárias, ilhas que lidam diariamente com a chegada de migrantes em embarcações precárias oriundas de África, conhecidas como `pateras` ou `cayucos`.

Em 2025, dados oficiais indicaram terem chegado 17.788 pessoas em `pateras` às Canárias, depois dos recordes de 2023 e 2024, quando foram 39.910 e 46.843, respetivamente. Outras 3.100 morreram no mar no ano passado, de acordo com a organização não-governamental (ONG) Caminando Fronteras, que classifica a "rota das Canárias" a rota de imigração mais mortal do mundo.

A ida às Canárias vai decorrer no final da viagem de Leão XIV a Espanha, em 11 e 12 de junho, depois de passagens do Papa por Barcelona, nos dias 09 e 10, e por Madrid, onde arranca este sábado a visita, com um dispositivo policial sem precedentes, como reporta a correspondente da RTP em Madrid, Ana Romeu.

Leão XIV aterra no aeroporto Adolfo Suárez/Barajas de Madrid, onde será recebido pelos Reis de Espanha, Felipe VI e Letizia, e pelo primeiro-ministro, Pedro Sánchez.

Seguir-se-á, uma hora mais tarde, no Palácio Real de Madrid, uma cerimónia de boas-vindas ao Papa, com honras de Estado, na qual o líder da Igreja Católica fará a primeira intervenção pública em Espanha, na presença das máximas autoridades do país.

Durante a tarde, o Papa visita um centro da Caritas que trabalha com pessoas em situação de sem-abrigo, no primeiro momento com dimensão social desta visita, que inclui também encontros com presos, durante uma ida a uma cadeia em Barcelona, e com imigrantes, nas Canárias.

"A realidade das pessoas sem-abrigo foi-se intensificando nos últimos anos, especialmente em grandes cidades como Madrid", por causa de "fatores estruturais" como "a dificuldade de acesso à habitação", a precariedade laboral ou "a situação administrativa irregular de muitas pessoas migrantes, que limita o acesso ao emprego e a recursos básicos", sublinhou a Conferência Episcopal Espanhola (CEE), no dossiê de imprensa da visita do Papa entregue esta semana aos jornalistas.

Os bispos espanhóis reivindicaram e apoiaram o processo de regularização extraordinário de imigrantes com que o Governo liderado pelo socialista Pedro Sánchez avançou recentemente, com o primeiro-ministro a realçar a "sintonia bastante elevada" neste tema com Leão XIV, depois de um encontro com o Papa no Vaticano em 27 de maio último.

A CEE admitiu também encontros do Papa com vítimas de abuso sexual no seio da Igreja em Espanha que, porém, só deverão ser noticiados `a posteriori`.

O primeiro dia de Leão XIV em Espanha termina com uma vigília à noite com jovens no centro de Madrid em que são esperadas centenas de milhares de pessoas, disse a CEE.

O discurso inédito do Papa no parlamento nacional de Espanha, país com um discurso político muito polarizado e onde os bispos católicos têm mantido um confronto público com o terceiro maior grupo parlamentar, o Vox (extrema-direita), por causa da imigração, está previsto para segunda-feira.

Antes, no domingo, o Papa vai celebrar uma missa ao ar livre no centro de Madrid e encontrar-se com representantes da sociedade civil espanhola ligados a áreas como desporto, cultura e empresas.

O Papa segue na terça-feira para Barcelona, onde a visita tem como foco a arte de Antoni Gaudí, o arquiteto da basílica da Sagrada Família, que este ano se tornou a igreja mais alta do mundo, como a conclusão da Torre de Jesus Cristo, que Leão XIV vai inaugurar formalmente.

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