Leão XIV pede dignidade e integração para imigrantes no final de visita

Leão XIV pede dignidade e integração para imigrantes no final de visita

O Papa terminou hoje uma viagem de uma semana a Espanha a pedir para os imigrantes serem tratados com "dignidade humana" e verdadeiramente integrados nas comunidades de acolhimento.

Lusa /

Leão XIV terminou esta visita, a primeira de um Papa a Espanha em 15 anos, nas Canárias, ilhas que lidam diariamente com a chegada de migrantes em embarcações precárias conhecidas como `pateras` ou `cayucos`.

Foi a primeira vez que um Papa visitou as Canárias e Leão XIV cumpriu um desejo e promessa do antecessor, Francisco, de ir a estas ilhas para dar visibilidade ao drama da imigração e das `pateras`.

Em 2025, segundo dados oficiais, chegaram 17.788 pessoas em `pateras` às Canárias. Outras 3.100 morreram no mar no ano passado, segundo a organização não-governamental Caminando Fronteras, que classifica a "rota das Canárias" a rota de imigração mais mortal do mundo.

No último dia nas Canárias e em Espanha, na ilha de Tenerife, o Papa reuniu-se com imigrantes e organizações que os acolhem e celebrou uma missa para mais de 30 mil pessoas, segundo a organização, no Porto de Santa Cruz de Tenerife, um dos muitos cais do arquipélago onde chegam `pateras` e milhares de pessoas todos os anos a bordo destas embarcações.

Leão XIV pediu hoje em Tenerife acolhimento e integração para os migrantes, com políticas que tenham no centro "a dignidade humana".

"A solidariedade nasce do reconhecimento da dignidade humana", disse o Papa, num encontro hoje com organizações, institutições e entidades que trabalham na integração de imigrantes e Tenerife.

"O acolhimento abre a porta, a integração ajuda a cruzar a soleira. A assistência põe o bálsamo na ferida e a integração reconstrói o futuro", acrescentou.

Leão XIV sublinhou que "integrar não significa apagar a história de quem chega" ou "criar mundos paralelos, fechados uns a outros, onde as pessoas convivem sem se encontrar realmente".

"Integrar é um caminho recíproco", acrescentou, dirigindo-se também aos imigrantes.

"Quem chega aprende a habitar uma terra nova, e quem recebe aprende a alargar a sua própria casa sem diluir a sua identidade", afirmou, pedindo aos imigrantes para também eles se abrirem "com confiança" à comunidade que os recebe, a aprenderem a língua local, a respeitarem as leis, a conhecerem costumes, a participarem "na vida comum".

Em mensagens dirigidas diretamente aos católicos, o Papa pediu "algo mais": que a imigração "não fique reduzida a uma tarefa social".

"Uma consciência humana, e mais ainda uma consciência cristã, não pode ficar indiferente perante vítimas dos naufrágios e de falta de ajuda, perante esses cemitérios no mar", afirmou.

Leão XIV sublinhou que há também "um naufrágio silencioso depois da chegada" dos migrantes, quando ficam sozinhos, isolados, sem confiança e "expostos a quem se aproveita da sua vulnerabilidade".

"Integrar é impedir esse segundo naufrágio", considerou.

O Papa agradeceu às Canárias o acolhimento dos imigrantes e também de todos os outros estrangeiros que passam pelas ilhas, lembrando que são um destino turístico.

"Prestem atenção aos adolescentes e aos jovens, aos ricos e aos pobres, aos residentes e aos hóspedes. Todos eles precisam de ser conhecidos com um olhar que vê mais além das aparências", afirmou, na homília da missa no porto de Santa Cruz de Tenerife, no último ponto da agenda da visita a Espanha.

O Papa tinha começado o dia num centro de acolhimento de pessoas que chegam em `pateras` às ilhas, onde disse que todas as pessoas são migrantes de alguma forma e apelou a que todos contribuam para fazer "da travessia" da imigração um "lugar mais humano", contribuindo com "o que estiver ao alcance de cada um".

Além das Canárias, o Papa esteve em Madrid, onde fez um discurso inédito no parlamento nacional de Espanha, e em Barcelona, onde fez uma celebração de homenagem à obra e à arte de Antoni Gaudí, o criador da basílica da Sagrada Família, que é desde este ano a igreja mais alta do mundo, com a inauguração da Torre de Jesus Cristo, com 172,5 metros de altura.

O "trágico drama migratório" esteve sempre presente em todas as etapas desta visita a Espanha, com o Papa a pedir um "exame de consciência" à comunidade internacional perante um Mediterrâneo e Atlântico transformados em "cemitérios sem lápides".

Leão XIV pediu à Europa para reconhecer "a complexidade" como uma bênção, para ter uma resposta "solidária e eficaz" à imigração que tenha no centro a dignidade humana e para abandonar discursos polarizadores com "simplificações estéreis" e "ideologias mundanas ou posicionamentos políticos e económicos" que levam a "generalizações injustas".

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