Libanês-americano que atacou sinagoga nos EUA perdeu quatro familiares em bombardeamento israelita
O autor de uma tentativa de atentado contra uma sinagoga no estado norte-americano do Michigan, o libanês-americano Ayman Mohamad Ghazali, tinha perdido quatro familiares num bombardeamento israelita no país natal, segundo autoridades libanesas.
Numa tentativa de atentado que as autoridades federais descreveram como visando a comunidade judaica, o homem de 41 anos, cidadão norte-americano nascido no Líbano, foi morto por seguranças na quinta-feira após ter invadido o Templo Israel, em West Bloomfield Township, perto da cidade de Detroit.
A agência estatal libanesa e o Ministério da Saúde do Líbano informaram que no dia 05 de março um ataque aéreo israelita matou quatro pessoas na cidade de Mashgharah (leste), e segundo a agência Associated Press (AP) tratava-se da família de Ayman Mohamad Ghazali.
Uma autoridade em Mashgharah disse à AP que os dois irmãos de Ghazali, além de uma sobrinha e um sobrinho, foram mortos em sua casa no ataque aéreo pouco depois do pôr do sol, enquanto faziam a refeição de quebra do jejum durante o mês sagrado muçulmano do Ramadão.
A autoridade, que pediu anonimato por não estar autorizada a divulgar detalhes do ataque aéreo, disse à AP que Kassim e Ibrahim Ghazali foram mortos juntamente com os filhos de Ibrahim Ghazali, Ali e Fatima.
A mulher de Ibrahim Ghazali ficou gravemente ferida e continua hospitalizada e o pai de Ayman Ghazali partiu dos Estados Unidos para o Líbano, disse a mesma fonte.
Ghazali chegou aos EUA em 2011 com um visto de familiar direto, como cônjuge de uma cidadã norte-americana, e obteve a cidadania em 2016, segundo o Departamento de Segurança Interna.
No ataque de quinta-feira, nenhum dos funcionários da sinagoga, professores ou as 140 crianças do centro de educação infantil ficaram feridos, disse o xerife do condado de Oakland, Mike Bouchard.
Segundo informações preliminares, um segurança foi levado ao hospital para receber tratamento após sofrer ferimentos na sequência da colisão do veículo, informou a estação norte-americana CNN.
As autoridades também encontraram uma grande quantidade de explosivos na parte de trás do veículo e abriram uma investigação para determinar as causas do incidente e se o suspeito agiu sozinho.
A polícia federal de investigação norte-americana (FBI) classificou o ataque a uma sinagoga no estado do Michigan (norte) como um ato de violência contra a comunidade judaica.
Jennifer Runyan, agente especial responsável pelo gabinete regional do FBI na cidade de Detroit, disse que o incidente foi "profundamente perturbador e trágico" e que a polícia federal está a liderar a investigação.
O FBI, sublinhou, considerou o crime um "ato de violência direcionado contra a comunidade judaica".
O Templo Israel apresenta-se como a maior sinagoga do judaísmo reformista nos Estados Unidos, a principal corrente do país, caracterizada por uma abordagem moderna, inclusiva e liberal.
A sinagoga, com cerca de 12.000 membros, possui um centro de educação infantil e oferece programas educacionais para famílias e adultos.
A governadora do Michigan, Gretchen Whitmer, e a senadora Elissa Slotkin elogiaram hoje a segurança privada do templo por ter contido rapidamente o ataque.
"Se não tivessem desempenhado as suas funções quase na perfeição, estaríamos a falar de uma imensa tragédia, com crianças mortas", disse Slotkin numa conferência de imprensa na sexta-feira.
Whitmer pediu aos norte-americanos que "moderassem o discurso" perante o que chamou de crescente onda de antissemitismo.
"Isto é um ataque a bebés judeus (...). Isto é antissemitismo na sua pior forma", disse Whitmer.
Nos últimos dias, registaram-se ataques semelhantes contra sinagogas em vários países, nomeadamente na Bélgica e Canadá.