Líbano começa a controlar zonas-piloto no sul do país dizem os EUA
O exército libanês começou a assumir o controlo das zonas-piloto no sul do país, no âmbito do acordo entre Beirute e Telavive, anunciou hoje o Departamento de Estado norte-americano.
"Hoje, tiveram início as operações na zona-piloto nas aldeias de Froun, Srifa e Zawtar Al-Gharbiya, em conformidade com o Acordo-Quadro Trilateral e sob os auspícios do Grupo de Coordenação Militar para o Líbano", afirmou a diplomacia norte-americana em comunicado.
Washington descreveu este marco como um "um resultado direto das discussões da semana passada entre Israel e o Líbano, em Roma".
"Os Estados Unidos vão continuar a trabalhar em estreita colaboração com ambas as partes para realizar a execução do Acordo-Quadro até a uma conclusão bem-sucedida", acrescentou o Departamento de Estado.
O início deste processo de estabilização pelas forças libanesas ocorre um dia antes da reunião entre o Presidente libanês, Joseph Aoun, e o homólogo norte-americano, Donald Trump.
O encontro vai abordar, entre outros assuntos, o acordo-quadro promovido pelos Estados Unidos e a retirada das tropas israelitas que continuam destacadas em vários pontos do sul do Líbano onde travam um conflito com o movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irão.
Aoun recebeu já o apoio da Arábia Saudita à gestão e às decisões tomadas para preservar a soberania e a integridade territorial do Líbano, durante uma conversa telefónica com o príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman.
Bin Salman manifestou apoio do reino ao Líbano "nesta situação específica" e também às decisões impulsionadas por Aoun em defesa da soberania, da independência e da integridade territorial do país, de acordo com um comunicado da Presidência libanesa.
O líder saudita reiterou também o compromisso de Riade em prestar assistência ao Líbano em todas as áreas necessárias, de acordo com as prioridades estabelecidas pelo Governo libanês, e convidou o Presidente a realizar uma visita oficial à Arábia Saudita para abordar assuntos de interesse comum.
Aoun agradeceu o apoio saudita e as iniciativas adotadas pelo reino para ajudar o Líbano e fortalecer a economia, além de aceitar o convite para visitar a Arábia Saudita.
O apoio de Riade surgiu também num contexto de renovadas tensões regionais, na sequência da recente troca de ataques entre a Arábia Saudita e os rebeldes Huthis do Iémen, um episódio que ameaça complicar o processo de paz, paralisado neste país desde 2022.
Esta chamada representa uma nova aproximação entre Beirute e Riade após vários anos de distanciamento, embora Aoun tenha escolhido, em março de 2025, a Arábia Saudita como destino da primeira viagem oficial ao estrangeiro desde que assumiu a Presidência libanesa.
Nessa visita, ambas as partes aproveitaram para manifestar a vontade de reforçar a cooperação bilateral, depois de anos marcados por divergências em torno da influência do Hezbollah e da situação regional.