Líbano condena ataques israelitas perto de monumentos históricos

Líbano condena ataques israelitas perto de monumentos históricos

As autoridades libanesas condenaram na quinta-feira os ataques israelitas perto de sítios e monumentos históricos classificados pela UNESCO no sul do país.

Lusa /

O ministro da Cultura libanês, Ghassan Salamé, tem "mantido contacto frequente com os seus homólogos em todo o mundo e com organizações internacionais relevantes para chamar a atenção para os consideráveis danos infligidos a sítios arqueológicos e bairros históricos" no sul do país, de acordo com a Agência Nacional de Notícias Libanesa (NNA).

Salamé apontou especificamente a antiga cidade de Tiro e o Castelo de Beaufort, localizado no distrito de Nabatieh, sublinhando que "muitos destes sítios contam com proteção reforçada pela UNESCO, tornando imperativo protegê-los de qualquer ataque aéreo ou de artilharia israelita".

O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, sublinhou, por sua vez, que "nada justifica os ataques em curso às regiões de Tiro e Nabatieh, nem a destruição dos seus monumentos históricos".

O Exército israelita tem bombardeado a cidade costeira de Tiro, no sul do Líbano, nos últimos dias.

As autoridades israelitas avisaram na quinta-feira que iam atacar um edifício em Tiro, que, segundo um mapa divulgado, fica muito próximo da zona arqueológica da cidade.

Aproximadamente duas horas após o alerta, imagens da agência France-Presse (AFP) mostraram uma bola de fogo seguida de uma coluna de fumo, indicando que um ataque atingiu a área alvo.

O Ministério da Saúde libanês adiantou na quinta-feira que um ataque aéreo israelita matou uma mulher e duas crianças na cidade de Shueifat nos arredores da zona sul de Beirute, um bastião do movimento pró-iraniano Hezbollah, anunciou o Ministério da Saúde libanês.

O ataque fez também 15 feridos, incluindo três crianças e cinco mulheres, referiu o ministério em comunicado.

Na quarta-feira, um correspondente da AFP viu fumo a subir perto do Castelo de Beaufort, uma fortaleza da época das Cruzadas, após o que parecia ser um disparo de artilharia.

A zona de Arnoun, localizada no sul do Líbano e onde se situa o castelo, publicou um comunicado no Facebook onde condenou "veementemente o ataque que teve como alvo" o local, atribuindo o ataque aos bombardeamentos israelitas e instando as autoridades a protegê-lo "de danos maiores".

As forças israelitas utilizaram o Castelo de Beaufort como base durante as duas décadas de ocupação do sul do Líbano, que terminou em 2000.

Em novembro de 2024, durante uma guerra anterior entre Israel e o Hezbollah, a UNESCO concedeu "proteção reforçada provisória" a 34 sítios patrimoniais no Líbano, incluindo Tiro e o Castelo de Beaufort.

Em abril do ano passado, a UNESCO acrescentou mais 39 sítios libaneses a esta lista.

As últimas hostilidades em grande escala começaram em 02 de março, quando o Hezbollah lançou morteiros contra Israel em resposta ao assassínio do ex-líder supremo do Irão Ali Khamenei, durante a ofensiva lançada a 28 de fevereiro por Israel e pelos Estados Unidos contra a República Islâmica.

As partes tinham antes acordado um cessar-fogo, em novembro de 2024, ao fim de 13 meses de combates, na sequência do ataque do grupo islamita palestiniano Hamas a Israel, a 07 de outubro de 2023, e da guerra de retaliação iniciada no mesmo dia por Israel na Faixa de Gaza.

No entanto, desde então, Israel continuou a lançar frequentes ataques aéreos contra o país e manteve uma presença militar em vários locais, alegando estar a atuar contra o Hezbollah, por entre denúncias de Beirute e do próprio grupo relativamente a tais ações.

Tópicos
PUB