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Líbano exige regresso de primeiro-ministro demissionário Saad al-Hariri

Líbano exige regresso de primeiro-ministro demissionário Saad al-Hariri

O Presidente do Líbano, Michel Aoun, foi claro no recado dado esta sexta-feira ao enviado da Arábia Saudita. O primeiro ministro, Saad al-Hariri, que anunciou sábado de surpresa a própria demissão, durante uma deslocação a Riade, tem de regressar ao Líbano.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Saad al-Hariri, primeiro ministro do Líbano Mohamed Azakir - Reuters

O Presidente libanês considerou ainda inaceitáveis as circunstâncias da demissão de Hariri.

As autoridades do Líbano afirmam que o primeiro-ministro foi forçado a demitir-se por pressão saudita e que Hariri está sob prisão domiciliária em Riade.

A Arábia Saudita nega ambas as teses e referiu que, desde a sua demissão, Hariri já se reuniu com representantes ocidentais, incluindo da União Europeia e dos Estados Unidos da América, de França, da Alemanha e do Reino Unido.

França e Alemanha já reagiram à crise, afirmando os respetivos representantes diplomáticos que não acreditam que Hariri esteja retido contra vontade.
"Tanto quanto sabemos, sim: pensamos de (Hariri) tem liberdade de movimentos e é importante que ele faça as suas próprias escolhas", afirmou Le Drian.
"A nossa preocupação é a estabilidade do Líbano e que uma solução política possa ser aplicada rapidamente", disse Jean-Yves Le Drian, ministro francês dos Negócios Estrangeiros, aos microfones da rádio Europe 1.

A França e outros países que formaram um "grupo de apoio internacional" que inclui os Estados Unidos e a Rússia, emitiram um apelo em comunicado para que o "Líbano "permaneça escudado das tensões na região".

Apoiaram ainda a exigência de Aoun para que Hariri regresse ao seu país.
Regresso inevitável
Saad al-Hariri, aliado de longa sata da Arábia Saudita onde detém vários interesses económicos, é um dos garantes da estabilidade do atual Governo libanês, formado há um ano depois do encontro de vontades entre os representantes das diversas comunidades libanesas: xiitas-iranianas, sunitas, cristãs e druzas.

Além de nomear Hariri primeiro-ministro, o acordo escolheu também Michel Aoun, um aliado político do movimento xiita Hezbollah, para a Presidência.

O regresso de Hariri ao Líbano parece ser inevitável.

O Presidente Michel Aoun recusou aceitar a sua demissão até que ele regresse a Beirute para lha apresentar pessoalmente explicando as suas razões. Foi o que disse ao enviado da Arábia Saudita, o encarregado de negócios Walid al-Bukhar, com quem se reuniu esta sexta-feira, em Beirute.

Presidente do Líbano, Michel Aoun, reunido com o encarregado de negócios da Arábia Saudita, Walid al-Bukhar, em Beirure Foto: Reuters

O próprio partido de Hariri, Movimento Futuro, disse que o regresso era necessário para manter o sistema libanês, referindo-o como primeiro-ministro e um líder nacional.

Também um dos principais políticos libaneses e líder druzo, Walid Jumblat, disse sexta-feira que era mais que tempo que Hariri regresse.

Após uma semana de ausência "seja pela força ou voluntariamente", e já "tempo para o regresso do sheik Saad", disse Jumblat na rede social Twitter. "Aliás, não tem outra alternativa", acrescentou.

O líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, deverá pronunciar-se sobre o assunto nas próximas horas.
Actos de guerra
O Líbano é um pequeno país entalado entre a hegemonia xiita do Irão e o expansionismo sunita da Arábia Saudita. A sul tem Israel. E tem ainda de aguentar o impacto da influência de ambas as potências que tentam torna-lo um mero peão nas suas estratégias regionais.Sábado, ao demitir-se, Hariri denunciou a intervenção iraniana nos assuntos internos libaneses e afirmou temer pela prórpia vida - o seu pai, Rafik Hariri, durante longos anos primeiro ministro do Líbano, foi assassinado num atentado à bomba em 2005.

Desde a demissão de Hariri, Riade acusou o Líbano e o movimento xiita Hezbollah de lhe declarar guerra. Desaconselhou os cidadãos sauditas de viajar para o Líbano e apelou à saída dos que já ali se encontrem.

Outros estados do Golfo, satélites da monarquia saudita, emitiram avisos semelhantes aos seus cidadãos.

A comunidade internacional vê com preocupação estes sinais de que a Arábia Saudita pode estar a planear uma intervenção no pequeno país, que acolhe milhão e meio de refugiados sírios.

A Arábia Saudita considera o Hezbollah, aliado do Irão, como inimigo em vários conflitos regionais. Na Síria, o movimento xiita foi crucial nas operações militares em apoio ao exército de Damasco, contra os grupos armados sunitas apoiados por Riade.

A sua influência será também sentida no Iémen, onde Riade interveio para deter a influência crescente de uma milícia xiita local, apoiada pelo Irão, provocando um conflito que já fez milhares de mortos.

O ministro saudita dos Negócios Estrangeiros acusou mesmo o Hezbollah de orquestrar o lançamento de um míssil balístico contra Riade a partir do Iémen no sábado passado.

E o príncipe herdeiro da monarquia saudita, Mohammed Bin Salman, tem afirmado que o Irão está a fornecer granadas de morteiro e mísseis à milícia iemenita, classificando esse acto como "agressão militar direta" equiparável a um ato de guerra.
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