Líder da Colômbia e candidato de esquerda rejeitam resultados das presidenciais

Líder da Colômbia e candidato de esquerda rejeitam resultados das presidenciais

O chefe de Estado da Colômbia, Gustavo Petro, e o candidato de esquerda Iván Cepeda, rejeitaram os resultados da primeira volta das presidenciais, que deram vantagem ao candidato de extrema-direita Abelardo de la Espriella.

Lusa /

Gustavo Petro afirmou no domingo que não aceita os resultados preliminares, com 98% dos votos contados, que apontam Abelardo de la Espriella como o favorito, com mais de 10 milhões de votos (43,74% do total).

"Como Presidente, não aceito os resultados preliminares da contagem", escreveu Petro na rede social X, onde reiterou as críticas ao sistema eletrónico e afirmou que apenas reconhecerá a contagem oficial emitida pela justiça da Colômbia.

Petro sustentou que a contagem, cujos resultados são meramente informativos e não têm validade legal, assenta num programa que apresenta inconsistências em relação ao recenseamento eleitoral oficial.

O líder colombiano alegou, sem apresentar provas, que o programa adicionou "800 mil pessoas" ao registo eleitoral e "foram acrescentadas centenas de milhares de votos" em algumas assembleias de voto já contestadas.

Petro voltou a fazer alusão à Thomas Greg & Sons, empresa que tem estado no centro de uma disputa com o Governo sobre o contrato de emissão de passaportes e a participação em vários processos eleitorais.

Abelardo de la Espriella, do movimento Defensores da Pátria, e Iván Cepeda, do Pacto Histórico, vão defrontar-se na segunda volta das eleições presidenciais colombianas, em 21 de junho.

Os dois candidatos foram os que receberam no domingo a maioria dos votos na primeira volta, disputada por 10 concorrentes.

De la Espriella surpreendeu ao obter um resultado melhor do que o previsto pelas sondagens, que o colocavam consistentemente em segundo lugar, atrás de Cepeda.

O candidato de esquerda, por sua vez, ficou em segundo lugar com 9,5 milhões de votos (40,9%), segundo o Registo Nacional, órgão responsável pela organização das eleições.

Também Iván Cepeda afirmou que não reconhecerá os resultados das eleições presidenciais na Colômbia até que as dúvidas sobre o processo relacionadas com o recenseamento eleitoral e as contestações em várias mesas de voto sejam resolvidas.

"Há uma discrepância que queremos verificar em relação ao recenseamento eleitoral, e não se trata de uma discrepância qualquer: estamos a falar de 885 mil pessoas", disse Cepeda aos apoiantes em Bogotá, sem fornecer detalhes sobre a origem deste número.

O candidato alegou que obteve "10 milhões de votos que foram contabilizados incorretamente na Colômbia" e proclamou o Pacto Histórico como a principal força política do país.

Cepeda acusou também o líder do vizinho Equador, Daniel Noboa, de interferir nas presidenciais colombianas por estar "em conluio" com Abelardo De la Espriella.

Com 48 anos, de la Espriella é considerado um político antissistema e lidera o recém-criado movimento Defensores da Pátria, tendo prometido "salvar o país e transformá-lo numa nação milagrosa".

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