Líder da esquerda radical francesa lança campanha presidencial para 2027
O líder da esquerda radical francesa, Jean-Luc Mélenchon, realizou hoje o seu primeiro comício de campanha, um ano antes das eleições presidenciais, procurando impor-se como a única opção viável à esquerda para derrotar a extrema-direita.
"Fomos nós (França Insubmissa, LFI, na sigla em francês) quem conquistou a honra de avançar em primeiro lugar" contra a União Nacional (RN, na sigla em francês), declarou o candidato da LFI em Saint-Denis, a norte de Paris, perante uma multidão de mais de 26 mil pessoas, segundo os organizadores.
Quando os especialistas consideram que uma vitória da RN é mais que possível em 2027, o candidato da LFI apresentou-se como a única alternativa ao partido de extrema-direita, que acusou de promover uma ideologia de supremacia que pretende dividir as pessoas "por etnia e religião".
Apesar de as sondagens por vezes colocarem Jean-Luc Mélenchon, de 74 anos, prestes a passar à segunda volta, anteveem-lhe uma derrota estrondosa contra o presidente da RN, Jordan Bardella, ou a sua figura de proa, Marine Le Pen.
Mas o líder da França Insubmissa pretende beneficiar da desordem reinante no resto da esquerda, amplamente atolada na questão de participar ou não em primárias unificadas, algo que a LFI se recusa sequer a considerar.
O comício de Mélenchon decorreu na cidade operária de Saint-Denis, que tem uma grande população imigrante.
Ao apresentar os principais pontos do seu programa, Jean-Luc Mélenchon propôs uma "Nova França": uma sociedade mais conectada, urbana e diversificada, que se mostrou particularmente satisfeito por ver personificada no novo presidente da Câmara da cidade, Bally Bagayoko (LFI), de origem maliana, que discursou em frente à Basílica de Saint-Denis, onde se situa a necrópole dos reis de França.
"Não renegaremos, senhoras e senhores fascistas, os sacrifícios e o amor dos nossos avós que nos permitem estar aqui neste país que eles tanto ajudaram a construir", declarou Mélenchon.
Além do antirracismo, o candidato presidencial pela quarta vez, uma das figuras políticas mais controversas de França, também insistiu na necessidade de planeamento ecológico.
Nas eleições presidenciais de 2022, Jean-Luc Mélenchon ficou a 420 mil votos de passar à segunda volta, tendo conquistado 22% dos votos e ficado em terceiro lugar na primeira volta, muito à frente do resto da esquerda, mas atrás da líder da extrema-direita, Marine Le Pen, e do atual Presidente da República, Emmanuel Macron.