Líder da Venezuela ordena investigação a morte de preso político sob custódia do Estado
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que ordenou uma investigação à morte do preso político Víctor Hugo Quero Navas, ocorrida em julho de 2025, sob custódia do Estado, mas que só recentemente foi confirmada.
Num comunicado divulgado na plataforma Instagram, a Presidência da Venezuela começa por lamentar a morte, no domingo, da mãe de Quero Navas, Carmen Teresa Navas, de 82 anos, que durante mais de 16 meses denunciou o desaparecimento do filho desde janeiro de 2025.
"Desde o momento em que se tomou conhecimento da denúncia relativa ao caso do seu filho Víctor Hugo Quero, a Presidente ordenou uma investigação rigorosa para esclarecer o ocorrido e solicitou a colaboração da Provedoria de Justiça e do Ministério Público", explica-se no comunicado.
"Assim que as investigações estiverem concluídas, o país será amplamente informado sobre os resultados e as medidas a tomar", refere-se.
A morte, por dificuldades respiratórias, de Carmen Teresa Navas, teve lugar 10 dias após as autoridades venezuelanas confirmarem que Víctor Hugo Quero Navas tinha morrido sob custódia do Estado e depois de a mãe mandar celebrar uma missa ao filho, na sexta-feira, na Igreja de La Candelária em Caracas, na qual participou.
Segundo a imprensa venezuelana, além de Carmen Teresa Navas, outras quatro mães venezuelanas morreram enquanto lutavam pela liberdade dos filhos.
Yenny Barrios, ativista e paciente oncológica, mãe do preso político Diego Sierralta, morreu a 5 de novembro de 2025. Ex-presa política, Barrios viu o filho ser detido a 22 de janeiro de 2025, depois de propor através do WhatsApp trocar um adesivo por um medicamento para tratar o cancro da progenitora, porque não dispunha de dinheiro para comprar.
Diego Sierralta foi libertado sete dias após a morte da mãe.
Carmen Dávila, de 90 anos, faleceu a 22 de janeiro de 2026, num hospital de Arágua, dois dias depois de o ginecologista Jorge Yespica Dávila ser libertado pelas autoridades venezuelanas.
Já Yarelis Salas, mãe do preso político Kevin Orozco, de 39 anos, morreu a 22 de janeiro de 2026 em consequência de um enfarte, três dias antes de o filho sair em liberdade.
Em 27 de janeiro morreu Omaira Navas, mãe de Ramón Centeno, 13 dias depois de o jornalista sair da prisão.
Em 07 de maio, as autoridades venezuelanas confirmaram a morte de Víctor Hugo Quero Navas (52 anos), que estava desaparecido desde que foi detido, em janeiro de 2025.
"Em 15 de julho de 2025, foi internado no Hospital Militar Dr. Carlos Arvelo, após apresentar hemorragia digestiva superior e síndrome febril aguda. Após 10 dias sob cuidados médicos, em 24 de julho de 2025 faleceu devido a insuficiência respiratória aguda secundária a trombo embolismo pulmonar", explicou o Ministério do Serviço Prisional (MSP) num comunicado.
Segundo o MSP, o detido esteve preso no El Rodeo I, prisão para onde se dirigia com frequência a mãe, à espera de notícias.
Na segunda-feira, dezenas de pessoas protestaram em Caracas em memória de Carmen Teresa Navas que morreu no domingo, 10 dias após saber que o filho Víctor Hugo Quero Navas, tinha morrido em julho de 2025 sob custódia do Estado.
Os manifestantes, na sua maioria estudantes universitários, bloquearam brevemente uma autoestrada em Caracas. Durante o protesto a Polícia Nacional Bolivariana tentou impedir que os manifestantes chegassem até à sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin, serviços de informações) tendo detido vários jovens, que, entretanto, já foram libertados.
Segundo a organização não-governamental (ONG) Justiça, Encontro e Perdão (EJP), na Venezuela estão detidas 663 pessoas por motivos políticos, 86 delas mulheres e 577 homens.
Em 14 de maio, segundo a EJP, estavam presos 27 cidadãos estrangeiros,
Desses, a comunidade lusa local indicou que cinco têm nacionalidade portuguesa.