Líder do PAICV diz que Governo de Cabo Verde "falhou em toda a linha" na legislatura

por Lusa

A presidente do PAICV, oposição em Cabo Verde, afirmou hoje no parlamento, no último debate mensal da legislatura com o primeiro-ministro, que o Governo "falhou em toda a linha" e não colocou os interesses do país em primeiro lugar.

"Hoje, passados cinco anos, é evidente que as grandes promessas deste Governo não passaram disso mesmo. Como o próprio primeiro-ministro assumiu, ao dizer que promessas de campanha são uma coisa, e governar é outra coisa bem diferente, quase que pedindo aos eleitores que se esquecessem das promessas eleitorais", afirmou Janira Hopffer Almada.

No último debate mensal no parlamento, precisamente para fazer o balanço da legislatura, a presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, maior partido da oposição), que nas eleições legislativas de 18 de abril tenta, pela segunda vez, ser eleita primeira-ministra, acusou também o Governo liderado pelo Movimento para a Democracia (MpD, no poder desde 2016) de não ter concretizado a "prometida" despartidarização da Administração Pública do país.

Num clima de tensão política entre os dois partidos, em crescendo há vários meses com a aproximação de eleições, Janira Hopffer Almada disse que a maioria "não investiu nos cabo-verdianos" e não transformou a saúde "num direito e não num luxo", recusando ainda, apenas, os argumentos da pandemia de covid-19 para justificar as dificuldades que Cabo Verde atravessa.

"Convém lembrar que o coronavírus, seguramente com os seus impactos, só chegou a Cabo Verde em março de 2020. Ou seja, quatro anos depois de este Governo ter tomado posse e ter começado a governar com um bom ambiente nacional, com uma grande estabilidade política no país, com uma confortável maioria parlamentar, com uma total cumplicidade de outros órgãos de soberania e, portanto, com todas as condições para, querendo, implementar na plenitude o seu programa", disse ainda.

E insistiu que o Governo de Ulisses Correia e Silva "não colocou acima de tudo os interesses de Cabo Verde" e acusou-o de "massificar os estágios profissionais para melhorar as estatísticas do emprego e para evitar uma convulsão social".

"Falhou em toda a linha", afirmou, sobre os cinco anos de legislatura que agora terminam, apontando os transportes como exemplo de uma "desastrosa governação", criticando a decisão de privatizar a companhia aérea nacional TACV, vendida (51%) a investidores islandeses e o que afirmou ter sido a "entrega" do mercado dos voos domésticos a uma única companhia.

"Não sabemos o dia em que podemos acordar e não poder viajar entre as nossas ilhas", afirmou Janira Hopffer Almada.

Criticou igualmente que, ao fim de cinco anos de Governo, "das grandes obras, nada".

"Se os recursos não eram um problema, como várias vezes foi anunciado, não se entende o que levou este Governo a não qualificar o turismo para fazer de Cabo Verde um destino de referência, a não investir na agricultura mesmo sabendo que os agricultores e os criadores de gado estavam sendo fustigados por três anos de seca consecutiva, e nem apostar nas pescas", afirmou.

"Não há publicidade que convença uma mãe, chefe de família, que tem de dar três refeições por dia aos filhos, que o seu país está melhor, quando ela não sente a sua vida melhor", apontou Janira Hopffer Almada.

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