Liga Combatentes vai identificar e concentrar cadáveres de soldados portugueses

Liga Combatentes vai identificar e concentrar cadáveres de soldados portugueses

Bissau, 15 Fev (Lusa) - A Liga dos Combatentes portuguesa vai começar a identificar e concentrar os restos mortais de soldados portugueses mortos durante a guerra colonial na Guiné-Bissau, disse hoje o vice-presidente da associação, general Carlos Camilo.

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Os trabalhos, que deverão começar em Março, serão realizados no âmbito do programa da Liga dos Combatentes denominado Conservação de Memórias, que pretende dignificar os ex-combatentes.

"No quadro deste programa da Conservação das Memórias uma das tarefas é a de localizar corpos de ex-combatentes e dignificá-los em quatro locais da Guiné-Bissau", afirmou o general Carlos Camilo.

"Na Guiné-Bissau temos referenciados - quer combatentes nascidos em território guineense, quer em Portugal - cerca de 750 espalhados por vários locais do país", disse o general português.

O objectivo da Liga do Combatentes é localizar os corpos e concentrá-los em quatro locais distintos do país: Bissau, Bambadinca, Bafatá e Gabú.

"Vamos iniciar brevemente a tarefa de identificação e concentração de corpos numa área onde estão referenciados 31" antigos combatentes, avançou o general Carlos Camilo.

O general Carlos Camilo explicou também que como a identificação de restos mortais implica uma técnica que a Liga dos Combatentes não domina foram estabelecidos acordos com o Instituto de Medicina Legal e a Universidade de Coimbra.

"São técnicos forenses que têm todas as condições para identificar, através do ADN, nomeadamente, restos mortais", disse.

Questionado sobre a eventual trasladação dos corpos identificados, o general explicou que a responsabilidade da Liga dos Combatentes é dignificar os ex-combatentes e não proceder à sua trasladação.

"Se depois de claramente identificados os restos mortais, os familiares estiverem interessados na trasladação essa será feita com base nas leis vigentes em Portugal e na Guiné-Bissau", explicou o general.

A Liga dos Combatentes já referenciou cerca de 4.000 antigos combatentes das forças armadas portuguesas espalhados pela Europa e África, faltando apenas o levantamento no continente asiático.

No âmbito do programa Conservação de Memórias, a Liga dos Combatentes procedeu hoje na Guiné-Bissau ao lançamento de duas pedras simbólicas para a construção de um monumento ao soldado desconhecido português e guineense e da Casa da Amizade entre os dois países.

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