Livraria de Hong Kong anuncia encerramento depois de detenções de funcionários
A livraria Greenfield, em Hong Kong, anunciou hoje nas redes sociais que vai encerrar, duas semanas depois de dois funcionários do espaço terem sido detidos pela polícia de segurança nacional.
"Esta loja vai fechar assim que o contrato de arrendamento terminar", escreveu a Greenfield Book Store numa publicação na rede social Instagram, não especificando a data.
Aos leitores, a livraria agradeceu ainda "o apoio incondicional ao longo dos últimos 50 anos, desde a inauguração".
A publicação, que já conta mais de 400 partilhas, foi feita duas semanas após as autoridades de Hong Kong levarem a cabo rusgas em duas livrarias - incluindo a Greenfield - e deterem cinco pessoas por suspeita de venderem publicações alegadamente sediciosas, de acordo com meios de comunicação social locais.
Vídeos e fotos de vários órgãos de comunicação social mostraram no dia 15 de julho agentes da polícia a apreender caixas no edifício que alberga a livraria Have A Nice Stay, fundada por ex-jornalistas.
Um livreiro foi visto a ser levado, noticiou a agência Associated Press (AP).
A poucos quarteirões de distância, na Greenfield Book Store, ocorreu uma ação semelhante, com caixas a serem apreendidas no edifício que alberga o espaço, de acordo com um vídeo do portal de notícias online The Collective.
A polícia informou posteriormente que fez rusgas em duas lojas no distrito de Mong Kok, sem as identificar.
Dois homens e três mulheres foram detidos por suspeita de violação da Lei de Segurança Nacional de 2024, de acordo com um comunicado da corporação.
Esta foi a terceira ronda de detenções ligadas a livrarias independentes, depois de operações semelhantes em março e junho.
A polícia refere no comunicado que uma investigação revelou que as cinco pessoas são suspeitas de exibir e vender materiais sediciosos no local.
O conteúdo das publicações inclui incitamento ao ódio contra o Governo, o poder judicial e as forças de segurança da cidade, segundo o comunicado.
A polícia informou que o caso foi encaminhado para a alfândega após a descoberta de livros alegadamente sediciosos num lote de mercadorias enviadas do estrangeiro para Hong Kong, sem especificar os títulos.
A Have A Nice Stay já tinha anunciado o encerramento a 30 de agosto. Numa publicação nas redes sociais, a livraria afirmou que as dificuldades financeiras e problemas em definir uma `linha vermelha` estiveram entre os fatores que levaram ao encerramento.
Hong Kong - cidade vizinha de Macau - já foi conhecida pela liberdade de publicação e de expressão. Alguns residentes chineses atravessavam a fronteira para comprar livros considerados demasiado sensíveis politicamente no continente.
Também no dia 15 de julho, a 36.ª Feira do Livro de Hong Kong abriu portas, num evento marcado pela exclusão de duas livrarias independentes de renome.
Em março, a polícia deteve o proprietário e os funcionários da livraria independente Book Punch, por suspeita de venderem publicações consideradas sediciosas.
Entre os artigos apreendidos estava a biografia do antigo magnata dos media pró-democracia Jimmy Lai, que foi condenado a 20 anos de prisão num caso relacionado com a segurança nacional.
Em junho, a polícia de Hong Kong deteve dois livreiros por suspeita de venderem publicações consideradas sediciosas e de receberem financiamento de organizações políticas estrangeiras.