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Londres. Mais de 100 pessoas detidas em protestos contra as alterações climáticas

Londres. Mais de 100 pessoas detidas em protestos contra as alterações climáticas

O movimento global Extinction Rebellion está a promover uma semana de protestos pacíficos em todo o mundo para contestar a falta de ação dos Governos perante as alterações climáticas. Em Londres, no primeiro dia de manifestações já foram detidas mais de 100 pessoas.

RTP /
Henry Nichols, Reuters

As autoridades britânicas divulgaram esta terça-feira que foram detidas 113 pessoas envolvidas nos protestos contra as alterações climáticas, iniciados na segunda-feira, que bloquearam estradas em Londres e vandalizaram o edifício de uma empresa petrolífera.

Durante a noite, a polícia tentou desobstruir a ponte Waterloo, onde grande parte dos manifestantes se concentrou empunhando cartazes que diziam “Não existe Planeta B” e “Extinção é para sempre”.

Apesar da intervenção da polícia para tentar retirar as pessoas do local e medidas para tentar manter a ordem pública, várias ruas continuaram interrompidas e a ponte continuou obstruída, no segundo dia de protestos.

Uma das pessoas que enfrentou a prisão, Angie Zealter, de 67 anos, citada por The Guardian, afirmou: “Este é um momento muito importante da história – deveria ter acontecido há 50 anos, mas pelo menos está a acontecer agora. Estamos a ficar sem tempo e o Governo tem de ouvir-nos”.

“Em tempos drásticos são necessárias medidas drásticas”, afirmou um dos manifestantes Ben Moss, diretor da empresa Bristol. Acrescentou ainda que está a quebrar a lei em prol das futuras gerações.

O objetivo do movimento é criar impacto na sociedade através de atos de desobediência sem recorrer à violência, face ao insucesso das formas convencionais de sensibilização. Apesar de algumas ações mais exaltadas, como o vandalismo da sede petrolífera Shell, o ambiente nos protestos tem sido pacífico.

O grupo Extinction Rebellion pediu ao Governo britânico que declare emergência climática e ecológica, reivindicando a implementação de políticas para reduzir as emissões de dióxido de carbono para zero até 2025 e a criação de uma assembleia de cidadãos para tomar decisões sobre as alterações climáticas e a perda biodiversidade.

Os manifestantes enviaram também uma carta a Theresa May enumerando as suas reivindicações, onde advertiram que a crise do clima não pode ser ignorada e que o Governo tem de agir.
Protestos em Portugal
Em Portugal, os líderes do movimento Extinction Rebellion, em português "Rebelião de Extinção", iniciaram protestos dia 15 de abril contra a falta de políticas ecológicas que, segundo os ambientalistas, levou ao “atual estado de emergência climática”.

O movimento prevê um conjunto de ações para esta semana em Portugal. Esta segunda-feira, 15 manifestantes reuniram-se em frente à sede da Nestlé, em Lisboa, para protestar contra a quantidade de plástico lançada aos oceanos pela empresa.

A representação da "Rebelião de Extinção" em Portugal anunciou três principais objetivos das manifestações nacionais: forçar o Governo a dizer a verdade sobre a atual situação ambiental; reclamar uma redução drástica das emissões de gases com efeito de estufa através de uma transição energética justa; e promover esta mesma transição através de uma democracia participativa ou direta.
“300 cidades, 35 países”
Lisboa e Londres estão longe de ser as únicas cidades a acolher os protestos. O movimento está presente em mais de 300 cidades e já estão confirmados protestos em pelo menos 35 países.

Em Madrid, os ativistas impediram o acesso à sede da empresa energética de origem espanhola, Repsol. Já na Suécia, país de Greta Thunberg, cerca de 100 manifestantes deitaram-se no chão em frente ao Parlamento, de forma a simular corpos humanos mortos, numa alusão às espécies que já desapareceram devido às alterações climáticas.

Do outro lado do mundo, em Melbourne, na Austrália, manifestantes também expressaram o seu descontentamento ao bloquear uma das principais rotas de transporte da cidade, assegurando passagem apenas aos ciclistas.
Estudantes em protestos pelo clima
Em agosto do ano passado, a adolescente sueca Greta Thunberg, de 16 anos, começou a faltar à escola à sexta-feira, colocando-se em frente ao Parlamento com um cartaz que dizia “greve da escola pelo clima”.

A greve escolar mundial – também conhecida por Sextas-feiras pelo Futuro ou Juventude pelo Clima – iniciada por Greta, que tem como lema “fazer greve por um clima seguro”, culminou numa série de manifestações semanais de estudantes.

No dia 15 de março, sexta-feira, centenas de milhares de alunos reuniram-se em protestos pelo clima em 106 países, incluindo Portugal, exigindo dos políticos ações concretas contra as alterações climáticas. Os estudantes empunhavam cartazes onde se podia ler “Não há Planeta B” e “Em 50 anos vocês estarão mortos, nós não”.

A iniciativa de Greta Thunberg e o seu discurso na Cimeira do Clima das Nações Unidas, na Polónia, terá inspirado os protestos da Extinction Rebellion desta semana, uma vez que ambos os movimentos protestam contra a falta de ações dos Governos face às mudanças do clima.

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