Lula anuncia Alckmin como vice-presidente e debandada no Governo para as eleições de outubro
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, confirmou hoje que o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, será candidato à reeleição e que 18 ministros deixarão o Governo para concorrerem às eleições gerais agendadas para outubro.
Lula da Silva repete assim o vice-presidente, Geraldo Alckmin, um político de 73 anos do centro e ex-governador do estado de São Paulo, com quem, nas eleições de 2022, derrotou o então Presidente Jair Bolsonaro.
"Alckmin vai ter que deixar o MDIC [Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio] porque ele é candidato a vice-presidente outra vez", anunciou Lula da Silva, sendo muito aplaudido pelos ministros, durante uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, em Brasília.
A reunião foi marcada ainda pela saída de 18 dos 38 ministros, que vão deixar o cargo para, na sua maioria, concorrerem às eleições deste ano, bem como coordenarem campanhas nas suas respetivas bases eleitorais.
Os ministros que vão estar envolvidos nas eleições precisam de deixar os cargos seis meses antes das eleições, até ao dia 04 de abril, conforme a legislação eleitoral brasileira.
No seu discurso, o Presidente do Brasil declarou que, mesmo com a saída dos ministros, o trabalho do Governo Federal será de continuidade, uma vez que os secretários-executivos das pastas irão assumir o comando dos ministérios.
Lula da Silva pediu aos membros do seu Governo que realcem os feitos do executivo durante a campanha eleitoral, desejando-lhes boa sorte.
"É importante que vocês estejam convencidos da participação de vocês, que vocês estejam convencidos do cargo que estão disputando, e, mais importante ainda, que vocês estejam dispostos a entrar na vida `congressual`, na vida parlamentar, para ajudar a mudar a promiscuidade que está instituída na política mundial e na brasileira", disse.
Até porque, na opinião do chefe de Estado brasileiro, "a política piorou muito".
"Ainda hoje tem muita gente séria, tem muita gente que faz política com P maiúsculo. Mas a verdade é que a política virou negócio", criticou.
A saída dos ministros de Lula da Silva para coordenar campanhas, disputar cargos ao Senado, à Câmara dos Deputados e aos governos estaduais marca uma estratégia da atual gestão de aumentar o palco político do Partido dos Trabalhadores (PT) pelo Brasil, bem como consolidar a chamada "frente ampla", perante a ascensão do "bolsonarismo" e da direita conservadora.
Lula da Silva, de 80 anos, que concorre ao seu quarto mandato enquanto Presidente brasileiro deverá enfrentar nas eleições de outubro os já anunciados pré-candidatos: o senador Flávio Bolsonaro (filho de Jair Bolsonaro), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema.
As eleições gerais - nas quais serão eleitos Presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais - estão marcadas para o dia 04 de outubro, com uma segunda volta, caso seja necessária, a 25 do mesmo mês.