Lula critica taxação dos EUA e avisa que Brasil irá procurar novos mercados

Lula critica taxação dos EUA e avisa que Brasil irá procurar novos mercados

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, criticou hoje a decisão dos Estados Unidos de taxar os produtos brasileiros em 25% e disse que o país procurará novos mercados caso sofra restrições de Washington.

Lusa /
Adriano Machado - Reuters

"Não vou ficar chorando. Se você não quer comprar de mim, eu vou vender para outro", declarou Lula, afirmando que tem "muita sorte", porque a China reconheceu hoje que todo o território brasileiro está livre de febre aftosa. 

"Como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça. O que aconteceu hoje para se contrapor à medida do Trump? A China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para o mercado chinês", declarou. 

Lula mostrou-se surpreendido com a decisão anunciada hoje por Washington, lembrando que, quando se reuniu com o Presidente norte-americano, Donald Trump, há três semanas, na Casa Branca, os dois líderes estabeleceram um prazo de 30 dias para a negociação do "tarifaço", e que três reuniões já ocorreram entre os dois países sem haver uma definição.

Os Estados Unidos propuseram a aplicação de tarifas de 25% sobre todas as mercadorias de origem brasileira, depois de concluírem que as políticas comerciais do Brasil prejudicam o comércio norte-americano.

Entre as práticas que supostamente "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos, os EUA citam o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria, falhas na aplicação de leis anticorrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol.

A investigação foi aberta em julho do ano passado pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) contra supostas "práticas desleais" do Brasil, e a nova tarifa entra em vigor no dia 15 de julho. 

Em viagem ao estado de Goiás, durante a inauguração de um instituto de educação, Lula da Silva subiu o tom contra o pré-candidato a Presidência do Brasil Flávio Bolsonaro, a quem chamou "imbecil" e "traidor da pátria". 

"Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele. São, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores", declarou. 

Com um papel entregue em mão pela sua assessoria, Lula lembrou que Flávio agradeceu a Trump pela imposição de tarifas ainda em 2025 numa publicação nas redes sociais, e acusou-o de mentiroso.

Antes, em entrevista, Flávio Bolsonaro disse que durante a sua reunião com Trump, há uma semana, pediu "expressamente" para os Estados Unidos não taxarem o Brasil.

"[Flávio] que hoje foi para a televisão dizer que não disse nada, eu vou repetir: no dia 09 de julho de 2025, no dia que o Trump nos puniu, ele disse: `Obrigado Trump, faça o Brasil livre de novo`", declarou.

O líder de esquerda escarneceu do encontro de Flávio com Trump e disse que o adversário foi pedir ao Presidente norte-americano para prejudicá-lo por causa das eleições de outubro. 

"Imbecil, ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar é o povo brasileiro, vai prejudicar os empresários brasileiros, vai prejudicar o agronegócio"", bradou Lula em tom eleitoral. 

Lula também classificou o secretário de Estado dos Estado Unidos, Marco Rubio, responsável por classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, de "anti-América Latina" e acusou: "não gosta do Brasil".

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