Lula da Silva em Washington para se encontrar com Donald Trump

Lula da Silva em Washington para se encontrar com Donald Trump

Num momento de tensão entre o Brasil e os Estados Unidos, o presidente brasileiro, Lula da Silva, partiu para Washington esta quarta-feira. Quinta-feira irá reunir-se com o homólogo, Donald Trump. A visita visa tanto conversar sobre questões espinhosas como operação de charme tendo em vista as eleições de outubro no Brasil.

RTP /
Presidente do Brasil, Lula da Silva, em abril de 2026 na Alemanha Lisi Niesner - Reuters

Lula, de 80 anos, chega a Washington politicamente enfraquecido após derrotas esmagadoras no Congresso brasileiro.

A menos de seis meses das eleições presidenciais, está praticamente empatado nas sondagens com Flávio Bolsonaro, o filho mais velho do seu antecessor.

Lula quer "fortalecer a sua relação pessoal com Trump" para reduzir o risco de interferência americana nas eleições, disse, à AFP, Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

"Estamos otimistas porque o convite vem de Trump, por isso o tempo de beligerância entre os Estados Unidos e o Brasil acabou", defendeu por seu lado o deputado Rubens Pereira Júnior, do Partido dos Trabalhadores (PT), de Lula. As relações diplomáticas entre Brasília e os Estados Unidos têm sido particularmente turbulentas com Trump na Casa Branca, embora os dois presidentes, ideologicamente opostos, reconheçam uma certa "afinidade" a nível pessoal.

O primeiro encontro oficial dos dois presidentes deu-se em outubro passado, na Malásia, e decorreu de forma cordial.

Posteriormente, Washington suspendeu grande parte das tarifas punitivas impostas ao Brasil em retaliação contra os problemas legais do ex-presidente brasileiro de extrema-direita Jair Bolsonaro, aliado de Trump, e que cumpre atualmente uma pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe.

Mas muito mudou desde então: os Estados Unidos derrubaram Nicolás Maduro na Venezuela e entraram em guerra contra o Irão ao lado de Israel.

Em 2025, Luiz Inácio Lula da Silva, acusou Trump de querer "tornar-se o imperador do mundo" e condenou já este ano, veementemente, ambas as intervenções americanas.

"Sou contra qualquer interferência política, independentemente do país", declarou o presidente de esquerda no mês passado.

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