Lula pede a Trump que Conselho da Paz se limite a Gaza e inclua a Palestina
O Presidente brasileiro pediu hoje ao homólogo norte-americano que o Conselho da Paz se limite à questão de Gaza e inclua um lugar para a Palestina, segundo fontes oficiais.
De acordo com a presidência brasileira, Lula da Silva manteve hoje uma conversa telefófica com Donald Trump, adiantando que, "ao longo de cinquenta minutos, os dois líderes abordaram temas relacionados à relação bilateral e à agenda global".
"Ao comentar o convite formulado ao Brasil para que participe no Conselho da Paz, Lula propôs que o órgão apresentado pelos Estados Unidos se limite à questão de Gaza e preveja assento para a Palestina", sublinhou o Governo brasileiro.
Nesse contexto, o chefe de Estado brasileiro reforçou a importância de uma reforma das Organização das Nações Unidas "que inclua a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança".
Numa conversa, em que os dois líderes "saudaram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros", Lula da Silva e Donald Trump falaram ainda sobre a Venezuela.
O chefe de Estado brasileiro, "ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano", indicou a Presidência brasileira, acrescentando ainda que ambos "acordaram a realização de uma visita do Presidente, Lula [da Silva] a Washington após a viagem do brasileiro à Índia e à Coreia do Sul em fevereiro, em data a ser fixada em breve".
Na sexta-feira, Lula da Silva, acusou o homólogo norte-americano de querer "criar uma nova ONU", na qual "ele, sozinho, é o dono".
"O multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo, ou seja, está prevalecendo a lei do mais forte. A carta da ONU está sendo rasgada", criticou Lula da Silva hoje, na cidade de Salvador, durante o 14.º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra.
O chefe de Estado brasileiro disse ainda que, em vez de se tentar corrigir a ONU "com a entrada de novos países, com a entrada de México, do Brasil, de países africanos", o que Donald Trump está a fazer é "uma proposta de criar uma nova ONU, e ele, sozinho, é o dono da ONU".
Até agora, cerca de 20 nações, algumas delas lideradas por aliados próximos de Trump, manifestaram o apoio à iniciativa, mas as grandes potências e a maioria dos países europeus têm-se mostrado reticentes, por considerarem que o Conselho da Paz enfraquece a ONU.
Lula da Silva criticou ainda os planos revelados esta semana por Trump no Fórum Económico Mundial, em Davos (Suíça), para a construção de complexos hoteleiros de luxo numa Gaza devastada pela guerra entre o Hamas e Israel.
"Você viu a fotografia do que vão tentar fazer em Gaza? Um `resort`, ou seja, derrubaram e mataram mais de 80 mil pessoas para agora fazer hotel de luxo", criticou.