Luso-descendentes uniram-se a centenas de pessoas em Caracas na marcha do orgulho gay
Caracas, 01 jul (Lusa) - Centenas de pessoas, entre elas vários luso-descendentes, participaram sábado em Caracas na marcha do orgulho gay, uma iniciativa convocada pela rede LGBT que "coloriu" a importante avenida Francisco de Miranda (leste) e despertou a curiosidade popular.
O ambiente foi de festa e erotismo homossexual, com vários jovens, alguns deles musculosos, exibindo-se semi nus e com movimentos como se estivessem a modelar, e outros com exuberantes roupas que os faziam parecer "bonecas" para crianças e rainhas saídas de livros de história.
No meio de tudo isto era notória a presença de mulheres, com mensagens em t-shirts pedindo respeito pela diversidade sexual, algumas delas com um "ar" (aparência) masculino.
No meio de bandeiras LGBT e cartazes onde se podia ler "sou como tu" e "a visibilidade nos fará livres" eram visíveis mensagens alusivas às candidaturas de Hugo Chávez e do opositor Henrique Capriles Radonski às eleições presidenciais previstas para 07 de outubro.
"O mundo está a mudar, a evoluir, no reconhecimento da diversidade sexual, mas há muito ainda para fazer, a principal luta pela igualdade começa em casa, porque os nossos pais ainda nos olham com repulsão", disse à Lusa o luso-descendente Alexander Barros.
Com 23 anos de idade saiu a marchar com uma bandeira LGBT numa mão, um curto e apertado fato de banho preto, umas chinelas e na barriga a mensagem "sou gay e quê?".
Explicou que na Venezuela os portugueses se caraterizam por ser "muito fechados" ao tema da homossexualidade e do transsexualismo e por isso teve "uma adolescência bastante difícil".
"Tive que esconder os sentimentos até dos meus amigos e eu próprio, pela maneira como fui criado, tive dificuldades para aceitar-me como era, até que um dia arranjei coragem e contei lá em casa. Foi difícil porque a minha mãe perguntava-me se eu tinha a certeza do que dizia, queria levar-me para o médico e o meu pai deixou de falar-me durante muito tempo", disse.
Na marcha eram ainda visíveis pessoas enveredando t-shirts com a mensagem "não sou gay mas apoio-te".
Na rua, à espera de autocarro estava Manuel Freitas, um emigrante de 65 anos, natural de Santa Cruz, Madeira, que insistiu em expressar que estava chocado com o que via.
"O mundo está perdido, veja como tantos jovens estão perdidos. No meu tempo (quando era jovem) não se via nada disto", disse.