Luta armada pela independência de Angola começou há 44 anos
Os angolanos assinalam sexta-feira o 44º aniversário da data que marcou o início da luta armada pela independência do país, quando nacionalistas armados com paus e catanas atacaram duas cadeias de Luanda.
O ataque, que representou uma afronta ao poder colonial português da altura, ocorreu na madrugada de 4 de Fevereiro de 1961, uma data que passou a ser das mais importantes da história do país, apenas ultrapassada pelo 11 de Novembro de 1975, o dia da independência de Angola.
Este ano, o acto central das comemorações vai decorrer em Mbanza Congo, capital da província do Zaire, no norte de Angola, mas estão previstas actividades para assinalar a data nas principais cidades do país.
Na capital angolana, entre outras iniciativas, vai realizar-se uma romagem aos túmulos dos principais promotores do ataque contra as cadeias de Luanda, que serão alvo de uma homenagem.
As autoridades angolanas pretendem fazer destas comemorações uma jornada de reflexão nacional sobre a participação dos cidadãos na reconstrução do país e na consolidação da democracia.
O ataque ocorrido na madrugada de 04 de Fevereiro de 1961 deveria ter sido realizado por cerca de 2100 pessoas, mas as detenções realizadas nos dias anteriores, na sequência de várias denúncias, fizeram reduzir esse número para pouco mais de duas centenas.
Paiva Domingos da Silva, Imperial Santana, Virgílio Sotto Mayor e Neves Bendinha foram alguns dos responsáveis pela coordenação do assalto, que tinha como principal objectivo libertar os presos políticos angolanos, acusados pelo regime português de actividades subversivas a favor da independência de Angola.
A revolta foi dominada com relativa facilidade, mas, para os angolanos, assinalou o início da luta armada que culminou com a independência do país, a 11 de Novembro de 1975.
Apesar de ser reivindicada pelo MPLA, a revolta de Fevereiro de 1961 terá sido, segundo alguns estudiosos, uma iniciativa de carácter quase espontâneo, protagonizada por um grupo de nacionalistas, na sua maioria de origem humilde, mas com um elevado sentido de patriotismo.
Os participantes, especialmente os ligados ao MPLA, referem, no entanto, que os preparativos começaram em Outubro de 1960 e, no mês seguinte, os nacionalistas estavam a treinar questões mais práticas como manejar as catanas ou desarmar uma sentinela.
Os treinos decorriam durante a noite na zona do Cacuaco, arredores de Luanda, passando depois para o Cazenga, quando os nacionalistas começaram a recear as infiltrações da polícia política portuguesa.
Nesse local, foi erguido o denominado `Marco Histórico do 4 de Fevereiro`, local de passagem obrigatória nas comemorações desta data.
A escolha do dia do ataque teve em atenção o facto de estarem na capital angolana nessa altura muitos jornalistas estrangeiros que aguardavam a chegada a Luanda do paquete "Santa Maria", que tinha sido assaltado alguns dias antes no alto mar por um grupo liderado por Henrique Galvão, um oposicionista do regime de Salazar.
Quando ficou claro que, afinal, o navio não viria para Luanda e os jornalistas começaram a preparar-se para abandonar a capital angolana, os nacionalistas decidiram lançar o ataque antes que fossem todos embora.
A presença dos jornalistas garantiu a projecção mediática internacional do ataque lançado pelos nacionalistas angolanos que, vestidos de negro e armados com paus e catanas, assaltaram a Cadeia de S. Paulo e a Casa de Reclusão de Luanda.
Esta acção levou António Oliveira Salazar a enviar para Angola os primeiros contingentes militares destinados a reforçar os reduzidos efectivos que na altura destacados na província ultramarina.
"Para Angola, depressa e em força", foi a frase proferida por Salazar, presidente do Conselho e principal figura do regime vigente em Portugal, num discurso oficial que passou à História.
Na sequência deste ataque, a pressão da polícia política portuguesa aumentou e cresceram também as detenções entre os nacionalistas, o que originou uma fuga para as matas, onde prosseguiu a luta pela independência.