Mundo
Guerra na Ucrânia
Macron. Europa está a tornar-se uma "superpotência" pronta a "derramar sangue" pela paz
O presidente francês fez um apelo às armas, esta segunda-feira, ao discursar perante as forças armadas francesas. Afirmou que os europeus estão a orquestrar um "despertar estratégico" e a construir "novas capacidades na Europa", ao serviço da paz "mesmo que seja preciso derramar sangue".
"Em poucos anos, teremos construído novas capacidades na Europa e orquestrado um despertar estratégico", declarou. "A Europa está a tornar-se uma potência", com os Estados "a assumirem a responsabilidade pela sua própria defesa e a agirem unidos", muito distantes dos "nacionalismos que a consumiram durante tanto tempo", acrescentou. Macron, que deixará o Palácio do Eliseu em 2027, falava pela última vez às tropas na véspera do dia da Bastilha, mas dirigia-se igualmente aos europeus.
"A mensagem que estamos a enviar ao mundo é esta: sim, a paz é o nosso objetivo, sim, prezamos a liberdade e o Estado de Direito. E sim, estamos prontos a lutar para os defender sempre, mesmo que isso signifique derramamento de sangue", enfatizou.
A reunião da coligação visa ampliar um "momento muito forte de convergência e unidade transatlântica", mas também criar "uma dinâmica mais favorável para a Ucrânia no terreno", enfatizou o Palácio do Eliseu.
"A mensagem que estamos a enviar ao mundo é esta: sim, a paz é o nosso objetivo, sim, prezamos a liberdade e o Estado de Direito. E sim, estamos prontos a lutar para os defender sempre, mesmo que isso signifique derramamento de sangue", enfatizou.
Logo depois, Emmanuel Macron reafirmou a defesa de uma "clara linha de não beligerância".
Defendeu ainda a continuidade dos projectos industriais europeus no sector da Defesa, no qual a França é um dos líderes, e advertiu contra a cedência ao "absurdo" do "nacionalismo" após o fracasso do projecto franco-alemão de caças do Conselho Supremo das Forças Armadas, que "lamentou profundamente".
Macron está contudo de saída e os franceses poderão preferir ignorar as advertências e entregar a presidência francesa à direita nacionalista.
Triplo objetivo pela Ucrânia
O discurso do presidente ocorreu horas antes de receber mais de 20 líderes mundiais nos Envalides, uma prestigiada instituição militar francesa, para uma reunião da Coligação da Boa Vontade, formada pela França e pelo Reino Unido para auxiliar a Ucrânia a defender-se dos ataques russos.
O discurso do presidente ocorreu horas antes de receber mais de 20 líderes mundiais nos Envalides, uma prestigiada instituição militar francesa, para uma reunião da Coligação da Boa Vontade, formada pela França e pelo Reino Unido para auxiliar a Ucrânia a defender-se dos ataques russos.
A reunião da coligação visa ampliar um "momento muito forte de convergência e unidade transatlântica", mas também criar "uma dinâmica mais favorável para a Ucrânia no terreno", enfatizou o Palácio do Eliseu.
Do encontro participam os líderes da Comissão Europeia, António Costa e Ursula von der Leyen, e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, além do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, o ministro dos Negócios
Estrangeiros alemão, Friedrich Merz e o primeiro-ministro britânico
cessante, Keir Starmer
A coligação, composta em grande parte por europeus, prometeu enviar tropas para solo ucraniano ou de tampão entre os dois países, assim que for alcançado um cessar-fogo, de forma a dissuadir a Rússia de novas ofensivas.
O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, afirmou ao jornal Ouest-France o objetivo triplo da cimeira: apoio à Ucrânia, "particularmente em termos de defesa aérea" contra os bombardeamentos russos; aumento da "pressão" sobre Moscovo, com novas sanções europeias no horizonte; e "garantias de segurança" para a Ucrânia, essenciais para evitar qualquer agressão futura.
Desfile histórico
Emmanuel Macron vai reunir-se primeiro com o seu homólogo ucraniano antes de uma reunião da "coligação antimíssil balístico", encarregada de aumentar as capacidades de defesa aérea da Ucrânia, incluindo através da produção de sistemas licenciados no país.
"Este será o tema dos pacotes de apoio francês, particularmente nas áreas da defesa aérea e antimíssil", declarou a ministra Delegada das Forças Armadas, Alice Rufo, ao canal de televisão TF1.
Desfile histórico
Emmanuel Macron vai reunir-se primeiro com o seu homólogo ucraniano antes de uma reunião da "coligação antimíssil balístico", encarregada de aumentar as capacidades de defesa aérea da Ucrânia, incluindo através da produção de sistemas licenciados no país.
"Este será o tema dos pacotes de apoio francês, particularmente nas áreas da defesa aérea e antimíssil", declarou a ministra Delegada das Forças Armadas, Alice Rufo, ao canal de televisão TF1.
Terça-feira, no dia seguinte a esta cimeira, a mesma mensagem de determinação lançada por Macron, será simbolicamente reiterada durante o desfile militar anual do Dia da Bastilha, nos Campos Elísios. Cerca de 500 militares dos Estados-membros desta coligação vão liderar o desfile do 14 de Julho, um acontecimento único numa democracia ocidental.
Ainda antes deste discurso, o Kremlin denunciou a reunião da Coligação da Vontade, marcada para essa tarde em Paris, com o objectivo de reforçar o apoio à Ucrânia.
"Esta é uma coligação de fanáticos e belicistas (...) que se iludem a pensar que podem infligir uma derrota estratégica ao nosso país", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, aos jornalistas, incluindo a AFP.
c/agências
Ainda antes deste discurso, o Kremlin denunciou a reunião da Coligação da Vontade, marcada para essa tarde em Paris, com o objectivo de reforçar o apoio à Ucrânia.
"Esta é uma coligação de fanáticos e belicistas (...) que se iludem a pensar que podem infligir uma derrota estratégica ao nosso país", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, aos jornalistas, incluindo a AFP.
c/agências