Magyar promete respeitar Estado de Direito para restaurar legalidade
O vencedor das eleições legislativas húngaras, Péter Magyar, garantiu hoje que não irá procurar recuperar o Estado de Direito através de violações do Estado de Direito.
"Não vamos tomar medidas contra o Estado de Direito para restaurar o Estado de Direito, muito pelo contrário", disse o líder do Tisza, que conquistou mais de dois terços do parlamento húngaro, pondo um fim a 16 anos de governação do ultraconservador Viktor Orbán (Fidesz).
"A minha intenção foi uma mudança de regime", sublinhou.
Uma das medidas que quer implementar é introduzir na Constituição um limite de dois mandatos para o primeiro-ministro.
"Para mim, é importante limitar os meus poderes como primeiro-ministro", disse, relatando que tem uma lista de 63 ações que, se cometer, a sua equipa o obrigaria a resignar.
"Não estou aqui para ficar rico nem quero governar para sempre", salientou.
Magyar afirmou que os nomeados do Fidesz para lideranças de instituições, como o Supremo Tribunal ou o Tribunal Constitucional "são fantoches".
O facto de terem sido nomeados por 12 anos "deixa o próximo governo de mãos atadas" e é, na opinião do próximo primeiro-ministro, "contra o Estado de Direito".
Mas, sublinhou, com a "supermaioria" no parlamento, o Tisza "terá o poder para transformar" o sistema criado por Orbán, cujo governo é acusado de corrupção e violações do Estado de Direito, que levaram Bruxelas a reter fundos europeus.
Sobre o líder do Banco Central, disse que preferia cooperar com ele, para não "criar ainda mais caos e prejudicar ainda mais confiança dos mercados".
Sobre os responsáveis nomeados pelo Fidesz, que apelidou de "serventes da máfia", Magyar defendeu: "Eles devem olhar para o espelho e questionar se fizeram tudo para servir e proteger o povo húngaro, com respeito pela lei, em vez obedecer a decretos do partido ou do chefe da máfia".
"Mas não quero que tenham medo", referiu, repetindo a ideia de que a Hungria entrou "numa nova era".
"Queremos um país democrático, com Estado de Direito, onde todos os húngaros possam contar com o país, com a proteção de crianças, respeito pelos idosos, respeito pelos uso de fundos público e a integridade da propriedade privada", afirmou.