Maior hospital no norte de Moçambique regista 21 mortes por desnutrição infantil em seis meses
O Hospital Central de Nampula (HCN), o maior do norte de Moçambique, registou 21 mortes por desnutrição infantil no primeiro semestre, aumentando face a 2025, anunciaram hoje as autoridades de saúde.
"Esse aumento de casos de óbito deveu-se à chegada tardia dessas crianças à unidade sanitária. Chegam já com muitas complicações", afirmou a médica pediatra do HCN, Amália Raquel, em conferência de imprensa, em Nampula.
Contudo, segundo a pediatra, entre janeiro e junho deste ano foram internadas 316 crianças com desnutrição, contra 481 no mesmo período do ano passado. Embora o número de admissões tenha diminuído, a mortalidade aumentou devido ao estado clínico grave em que muitas crianças chegam ao hospital.
Por outro lado, a médica recordou que, no ano passado, o elevado número de internamentos esteve associado ao fluxo de famílias deslocadas da província de Cabo Delgado, que procuravam assistência médica em Nampula devido ao conflito armado.
"Muitas dessas crianças vinham dos centros de deslocados e chegavam ao hospital com muitas complicações, acabando por perder a vida", explicou.
Apesar da gravidade dos números, Amália Raquel sublinhou que a desnutrição é uma condição amplamente evitável através da prevenção e do acompanhamento adequado da mãe e da criança desde a gravidez.
"A desnutrição é uma doença que pode ser prevenida ao nível da comunidade. Todos nós temos a possibilidade de vivermos sem desnutrição no nosso meio", defendeu.
Segundo a especialista, um dos principais desafios continua a ser a fraca adesão das mulheres às consultas pré-natais, situação que compromete o acompanhamento da gravidez e aumenta o risco de problemas nutricionais nas crianças.
"Temos verificado que muitas mulheres fazem apenas uma ou duas consultas pré-natais e depois deixam de comparecer à unidade sanitária", lamentou.
Por isso, a médica apelou ao cumprimento das consultas de vacinação e pesagem após o nascimento, considerando que estas permitem monitorizar o crescimento infantil, prevenir doenças e reforçar a educação das famílias sobre práticas alimentares adequadas.
"É muito importante pesarmos e vacinarmos as crianças, porque isso ajuda a prevenir doenças e permite orientar as mães para evitar que os filhos regressem desnutridos", referiu.
Amália Raquel defendeu ainda o reforço da educação nutricional nas comunidades, incentivando o aproveitamento dos alimentos produzidos localmente para garantir uma alimentação diversificada e equilibrada durante a gravidez e na primeira infância.
Destacou também a importância do aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida e da introdução gradual da alimentação complementar, medidas que considera essenciais para reduzir os casos de desnutrição infantil.
"O leite materno é completo e protege a criança contra várias doenças. Depois dos seis meses, a alimentação complementar deve ser introduzida gradualmente, sem interromper de forma brusca o aleitamento", concluiu.