Maioria dos democratas norte-americanos vota corte de ajuda a Israel
Mais de metade dos democratas na Câmara dos Representantes norte-americana votou na quarta-feira favoravelmente um corte de 3,3 mil milhões de dólares (2,8 mil milhões de euros) em ajuda a Israel, comprovando as divisões partidárias sobre o tema.
Os 104 votos a favor foram insuficientes para incluir a medida num projeto de lei mais amplo sobre gastos com segurança nacional, já que com os republicanos houve 314 votos contra, mas retratam as mudanças de postura que estão a dividir o Partido Democrata e o país relativamente à estratégia israelita na guerra na Faixa de Gaza, que já causou dezenas de milhares de mortos.
A maioria dos republicanos votou pela manutenção da ajuda a Israel.
O líder democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, votou contra a alteração que ditaria o corte da ajuda a Israel, tendo defendido, numa carta endereçada aos colegas de partido, que existem "formas mais decisivas de alcançar a mudança urgente necessária no que diz respeito ao governo de extrema-direita de Netanyahu".
Um número crescente de membros do partido tem-se distanciado da estratégia seguida por Netanyahu desde o ataque do Hamas a Israel, em 07 de outubro de 2023.
A crescente divisão em torno de Israel ameaça abalar o Partido Democrata, que enfrenta uma ala esquerda mobilizada, que promove candidatos que se denominam socialistas democráticos em algumas das disputas mais importantes para a Câmara dos Representantes, como ocorreu no mês passado no estado de Nova Iorque.
Os republicanos aproveitaram a divisão para retratar o Partido Democrata como uma força política dominada pelas alas mais radicais da extrema-esquerda, embora apresentem também divisões no seu seio, com os republicanos mais fervorosos da vertente `America First` ("América em primeiro lugar", em português) a mostrarem-se favoráveis à redução de gastos militares no estrangeiro.
A alteração à lei para cortar a ajuda externa a Israel foi, aliás, apresentada, pelo deputado Thomas Massie, um republicano de orientação libertária, que defendeu que a verba poderia ser mais bem aplicada internamente em estradas, pontes e nas necessidades dos veteranos de guerra, numa altura em que o défice orçamental norte-americano cresce.
Segundo uma sondagem da plataforma AP-NORC realizada no mês em curso, cerca de um terço dos adultos norte-americanos, incluindo metade dos democratas, crê que Israel cometeu genocídio contra os palestinianos na guerra em Gaza, na sequência das acusações feitas por organizações de defesa dos direitos humanos e negadas por Israel e pelos Estados Unidos.
O Ministério de Saúde de Gaza afirma que, desde o início da ofensiva israelita, há 73.233 mortos e 173.707 pessoas feridas no território controlado pelo movimento islamita Hamas.