Maioria dos Estados-membros apoia suspensão parcial de negociações de adesão da Turquia

Maioria dos Estados-membros apoia suspensão parcial de negociações de adesão da Turquia

A recomendação da Comissão Europeia sobre uma suspensão parcial das negociações de adesão da Turquia à UE teve já o apoio de uma maioria de líderes europeus e reacções negativas apenas de Londres e Madrid.

Agência LUSA /
"As negociações prosseguem, mas a um ritmo mais lento", disse o comissário europeu para o Alargamento, Olli Rehn EPA

A Comissão recomendou a suspensão parcial das negociações, após o malogro, segunda-feira, de uma última tentativa da presidência finlandesa da UE de persuadir os turcos a abrirem os seus portos e aeroportos a navios e aviões de Chipre, que é membro da União.

Logo após a decisão de Bruxelas, a presidência finlandesa da União Europeia recomendou a sua aprovação pelos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 25.

"A decisão que será tomada a 11 de Dezembro (data da reunião dos MNE dos estados-membros, em Bruxelas) deverá reflectir as expectativas da UE de que os países candidatos cumpram as suas obrigações", lê-se num comunicado, divulgado esta quarta-feira, do primeiro-ministro finlandês, Matti Vanhanen.

Mas o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, sublinhando que "o interesse estratégico a longo prazo da Europa e do resto do mundo" é "ter a Turquia no interior da União Europeia", advertiu que "seria um grave erro enviar um sinal desfavorável à Turquia".

No mesmo sentido, o chefe do governo espanhol, José Luís Rodriguez Zapatero, também ele favorável a uma adesão da Turquia, exortou os 25 a "trabalharem intensamente" até à cimeira de Dezembro para "deixar a porta aberta" à Turquia.

Tom diferente é o da ministra dos Negócios Estrangeiros grega, Dora Bakoyannis, que defendeu que Ancara deve cumprir todos os requisitos, incluindo a abertura dos seus portos a Chipre, para que possam prosseguir as negociações de adesão à UE.

Na mesma linha, o presidente francês, Jacques Chirac, defendeu a recomendação da Comissão Europeia, considerando que "não havia outra possibilidade".

Também a chanceler alemã, hngela Merkel, aprovou a recomendação, definindo-a como "um sinal forte" para Ancara.

Por seu turno, o primeiro-ministro português, José Sócrates, desdramatizou uma eventual suspensão parcial das negociações, manifestando o desejo de que as conversações com Ancara terminem bem.

"O meu desejo é que as negociações terminem bem e a Turquia entre na União Europeia", disse José Sócrates, no final da cimeira de líderes da Nato, que terminou hoje, em Riga, capital da Lituânia.

O problema cipriota ameaçava há vários meses provocar uma crise entre a UE e a Turquia, devido à recusa de Ancara de aplicar à República de Chipre o protocolo que estende a sua união aduaneira com a UE aos 10 Estados entrados no bloco europeu em 2004, entre os quais Chipre.

A Turquia recusa, nomeadamente, deixar entrar nos seus portos e aeroportos os navios e aviões cipriotas-gregos, exigindo como condição prévia o levantamento do embargo imposto à República Turca do Chipre do Norte, reconhecida unicamente por Ancara.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE deverão pronunciar-se a 11 de Dezembro sobre a recomendação da Comissão Europeia.
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