Mundo
Mais de 200 mulheres resgatadas do grupo Boko Haram estão grávidas
"Converteram-me em objeto sexual. Faziam turnos para se deitar comigo. Estou grávida e não sei quem é o pai", disse Asabe Aliyu, de 23 anos, uma das mulheres resgatadas ao grupo extremista Boko Haram. Pelo menos, 214 mulheres que foram libertadas pelo exército nigeriano estão grávidas.
São relatos de horror, os que chegam das mulheres sequestradas pelo grupo extremista. "Todos os dias nós testemunhávamos a morte de alguém e esperávamos a nossa vez". É assim que Asabe Umaru, de 24 anos, descreve o período que passou sequestrada com os seus dois filhos, segundo revela a BBC News.

“Ela estava num grupo de mulheres e crianças que estavam na floresta da Sambisa, no norte da Nigéria, e foram libertadas pelo exército nigeriano na semana passada”.Apedrejadas até à morte
Segundo as sobreviventes, algumas mulheres foram apedrejadas até à morte quando o exército se aproximou. Há ainda relatos de que os soldados não perceberam "a tempo de que não éramos inimigos" e algumas mulheres e crianças foram "atropeladas pelos camiões", acrescentou Asabe Umaru à agência Reuters.

No cativeiro, "eles não nos deixavam mexer nem um centímetro," afirmou. "Tínhamos que ficar num só lugar. Estávamos amarradas."
Uma das sobreviventes disse que apenas recebiam uma refeição por dia. "Éramos alimentadas apenas com milho seco à tarde, que não estava bom para o consumo humano. Isso levou à desnutrição, a diversas doenças e à morte”.
Mataram homens e meninos mais velhos
As sobreviventes afirmaram ainda que, quando foram sequestradas, "os militantes mataram os homens e meninos mais velhos em frente às suas famílias", antes de levar as mulheres e as crianças para a floresta.
Algumas foram obrigadas a casar-se, mas algumas conseguiram evitar esse destino, como foi o caso de Lami Musa, de 27 anos. "Quando eles perceberam que eu estava grávida, disseram que era de um infiel (o marido) e, por isso, mataram-no”.

Mulheres e crianças viajaram durante três dias em camiões pela floresta da Sambisa, onde foram resgatadas, até o acampamento na cidade de Yola.
As autoridades descobriram que quase todas as pessoas resgatadas são de Gumsuri, uma aldeia perto da cidade de Chibok, segundo revela a agência Associated Press.
Boko Haram já sequestrou mais de duas mil mulheres
Informações confirmadas também pelo diretor executivo do Fundo para as Populações da ONU, Babatunde Osotimehin. Segundo Osotimehin, o fundo da ONU, com a ajuda do Governo da Nigéria, treinou 60 conselheiros para fornecer apoio psicológico às pessoas resgatadas, especialmente às grávidas, que estão bastante traumatizadas.
“Estou feliz por que as comunidades estão a aceitá-las de volta. Isso é uma terapia importante também. Prevemos que os casos aumentem porque a intervenção militar é contínua. Acreditamos que mais pessoas estão agora a precisar do nosso apoio e iremos continuar a atuar”, explicou.
Segundo dados da Amnistia Internacional, mais de duas mil mulheres já foram sequestradas pelo Boko Haram, desde o ano passado. Na última semana, o exército nigeriano promoveu uma série de ofensivas contra o grupo e libertou mais de 700 pessoas, na sua maioria mulheres e crianças, com quadros graves de desnutrição.
“Ela estava num grupo de mulheres e crianças que estavam na floresta da Sambisa, no norte da Nigéria, e foram libertadas pelo exército nigeriano na semana passada”.Apedrejadas até à morte
Segundo as sobreviventes, algumas mulheres foram apedrejadas até à morte quando o exército se aproximou. Há ainda relatos de que os soldados não perceberam "a tempo de que não éramos inimigos" e algumas mulheres e crianças foram "atropeladas pelos camiões", acrescentou Asabe Umaru à agência Reuters.
No cativeiro, "eles não nos deixavam mexer nem um centímetro," afirmou. "Tínhamos que ficar num só lugar. Estávamos amarradas."
Uma das sobreviventes disse que apenas recebiam uma refeição por dia. "Éramos alimentadas apenas com milho seco à tarde, que não estava bom para o consumo humano. Isso levou à desnutrição, a diversas doenças e à morte”.
Mataram homens e meninos mais velhos
As sobreviventes afirmaram ainda que, quando foram sequestradas, "os militantes mataram os homens e meninos mais velhos em frente às suas famílias", antes de levar as mulheres e as crianças para a floresta.
Algumas foram obrigadas a casar-se, mas algumas conseguiram evitar esse destino, como foi o caso de Lami Musa, de 27 anos. "Quando eles perceberam que eu estava grávida, disseram que era de um infiel (o marido) e, por isso, mataram-no”.
Mulheres e crianças viajaram durante três dias em camiões pela floresta da Sambisa, onde foram resgatadas, até o acampamento na cidade de Yola.
As autoridades descobriram que quase todas as pessoas resgatadas são de Gumsuri, uma aldeia perto da cidade de Chibok, segundo revela a agência Associated Press.
Boko Haram já sequestrou mais de duas mil mulheres
Informações confirmadas também pelo diretor executivo do Fundo para as Populações da ONU, Babatunde Osotimehin. Segundo Osotimehin, o fundo da ONU, com a ajuda do Governo da Nigéria, treinou 60 conselheiros para fornecer apoio psicológico às pessoas resgatadas, especialmente às grávidas, que estão bastante traumatizadas.
“Estou feliz por que as comunidades estão a aceitá-las de volta. Isso é uma terapia importante também. Prevemos que os casos aumentem porque a intervenção militar é contínua. Acreditamos que mais pessoas estão agora a precisar do nosso apoio e iremos continuar a atuar”, explicou.
Segundo dados da Amnistia Internacional, mais de duas mil mulheres já foram sequestradas pelo Boko Haram, desde o ano passado. Na última semana, o exército nigeriano promoveu uma série de ofensivas contra o grupo e libertou mais de 700 pessoas, na sua maioria mulheres e crianças, com quadros graves de desnutrição.