Mais de 60 deputados trabalhistas pedem publicamente demissão de Starmer

Mais de 60 deputados trabalhistas pedem publicamente demissão de Starmer

Mais de 60 deputados trabalhistas pediram publicamente a demissão do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, nos últimos dias, após o desempenho desastroso do Partido Trabalhista nas eleições locais e regionais de quinta-feira.

Lusa /
Toby Melville - Reuters

Starmer tentou responder às críticas internas com um discurso na segunda-feira, no qual delineou as prioridades do seu Governo para o resto do seu mandato e prometeu, entre outras coisas, colocar o Reino Unido "no centro da Europa" após o Brexit.

No entanto, as palavras do líder trabalhista pareceram insuficientes para conter a pressão que enfrenta dentro do próprio partido.

Segundo a estação BBC, até ao final da tarde de hoje, pelo menos 64 deputados tinham pedido explicitamente a sua demissão, quer imediata, quer com tempo para encontrar um substituto adequado.

A deputada trabalhista Catherine West emitiu um ultimato no sábado, afirmando que, se nenhum dos atuais ministros do gabinete de Starmer se candidatasse à liderança, tentaria pessoalmente reunir o apoio necessário de 81 pessoas, representando 20% do total de deputados trabalhistas, para forçar uma eleição para a liderança.

West sublinhou hoje que o discurso de Starmer foi "muito pouco, muito tarde" e notificou formalmente os outros deputados de que estava a recolher nomes para solicitar ao primeiro-ministro que estabelecesse um calendário para a eleição de um novo líder em setembro.

Entre os principais candidatos para substituir Starmer está o atual presidente da Câmara de Manchester, Andy Burnham, mas para se tornar primeiro-ministro precisaria primeiro de conquistar um lugar no Parlamento.

Outros sugerem que o atual secretário da Saúde, Wes Streeting, da ala direita do partido, também tem ambições de liderar o Partido Trabalhista.

Entre os últimos a juntarem-se aos pedidos de demissão de Starmer estavam quatro deputados trabalhistas, que também renunciaram em massa esta tarde aos seus cargos de assessores e secretários de gabinete.

Joe Morris, um conselheiro próximo de Streeting, demitiu-se na quinta-feira e pediu ao primeiro-ministro que estabelecesse um calendário rápido para a sua saída.

Posteriormente, Naushabah Khan demitiu-se do cargo de secretária do gabinete de Starmer, apelando à "reconstrução da confiança" sob uma nova liderança, assim como Melani Ward, secretária particular do vice-primeiro-ministro e secretário da Justiça, David Lammy.

As dúvidas sobre a continuidade de Starmer na liderança do Governo britânico aumentaram após a perda de quase 1.500 vereadores nas eleições locais em Inglaterra e a pesada derrota no seu histórico bastião do País de Gales, governado pelo Partido Trabalhista desde 1999, onde se tornaram a terceira força mais votada, com apenas 9 lugares.

Na Escócia, reduziu a representação no Parlamento de Edimburgo de 21 para 17 membros, enquanto no País de Gales perdeu o controlo do parlamento regional, passando de 44 para apenas nove assentos.

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