Mais de dois milhões de pessoas no Darfur sem acesso a cuidados médicos
Mais de dois milhões de pessoas na região sudanesa do Darfur ficaram sem acesso a cuidados médicos adequados após o ataque de `drones` da semana passada ter deixado fora de serviço um hospital local, anunciaram hoje fontes humanitárias.
O ataque, atribuído ao exército, matou 70 pessoas e destruiu o Hospital Escola Al Daein, que servia a população de toda a província do Darfur Oriental.
Imagens de satélite divulgadas hoje mostraram danos extensos na unidade hospitalar, noticiou a agência Associated Press (AP).
O exército negou ter como alvo a instalação médica, que se encontra numa área controlada pelos paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês).
O grupo combate o exército sudanês desde 15 de abril de 2023, numa guerra que empurrou o país para a maior crise humanitária do mundo e que já deslocou pelo menos 14 milhões de pessoas, segundo dados das Nações Unidas.
Bedreldin Abduelnabi, que chefia as atividades da organização humanitária Alight no Darfur Oriental e Cordofão Ocidental, afirmou que o ataque danificou todas as enfermarias do hospital, incluindo as de emergência, medicina interna, cirurgia, pediatria, obstetrícia e ginecologia, e diálise renal.
Abduelnabi referiu que o seu grupo está agora a apoiar um centro de cuidados de saúde primários para ajudar a colmatar a falha criada pelo ataque.
A unidade servia como hospital de referência para mais de dois milhões de pessoas na cidade de Al Daein e noutros nove distritos no Darfur Oriental, disse Hala Khudari, representante adjunta da Organização Mundial da Saúde no Sudão.
As pessoas "poderão ter de viajar mais de 160 quilómetros para chegar ao próximo hospital de referência, o que, para pacientes que necessitam de serviços especializados, é muito difícil", acrescentou.
Ambos os lados são regularmente acusados de crimes de guerra, nomeadamente de bombardeamentos indiscriminados e de visar civis.
Ataques de `drones` quase diários mataram dezenas de civis na região do Cordofão, onde o exército tenta travar o avanço das RSF para as repelir para longe da capital, Cartum.
Por outro lado, as tropas paramilitares progridem para norte a partir dos redutos dos seus aliados do Movimento Popular de Libertação do Sudão (SPLM), estabelecido no sudeste.
Há suspeitas de que o conflito sudanês se esteja a tornar regional, nomeadamente devido ao papel da vizinha Etiópia.
Em março, o exército sudanês indignou-se com o facto de ataques de `drones` terem sido lançados "a partir do interior do território etíope".
Por outro lado, tem sido noticiado que a Etiópia acolheu, em campos de treino, membros das RSF. Informações que Adis Abeba refuta.
Enquanto as Nações Unidas se preocupam com o risco de regionalização do conflito, a fronteira com o Chade, no outro extremo deste imenso país, também assistiu a vários ataques mortais nas últimas semanas.