Mais de mil pessoas em zonas alagadas no sul de Moçambique após cheias de janeiro
Pelo menos 1.011 pessoas continuam em zonas alagadas no distrito de Manjacaze, sul de Moçambique, seis meses após as cheias de janeiro, enquanto a autarquia procura 2,7 milhões de euros para realojar as famílias afetadas.
"Das pessoas que se encontram em zonas alagadas, temos 1.011 pessoas. E destas 1.011 pessoas, estamos a contar aquelas que estavam no centro transitório e aquelas que tinham recorrido a famílias, fez-se o mapeamento", disse aos jornalistas Francelina Nhantumbo, presidente do Conselho Municipal do distrito Manjacaze na província de Gaza, uma das mais afetadas pelas cheias de janeiro.
Segundo a autarca, o município já identificou um espaço para realojar as famílias afetadas, mas a falta de financiamento continua a impedir o avanço do processo.
"Há um espaço identificado para que, havendo condições (...), essas pessoas possam ser reassentadas. O que é um problema, neste momento são recursos porque não vai tirar pessoas e deixar num espaço baldio. É preciso criar, no mínimo, condições básicas, que é pelo menos garantir água, energia e vias de acesso", afirmou.
Francelina Nhantumbo acrescentou que a autarquia necessita de cerca de 200 milhões de meticais (2,7 milhões de euros) para concretizar o projeto, que inclui o realojamento das famílias e obras de engenharia para reduzir o risco de novas inundações.
"Além de reassentar estas pessoas, achamos nós que existem zonas que precisam de uma engenharia. Estamos a falar da abertura de um canal que vai conduzir estas águas para a Lagoa Sul", explicou.
As cheias afetaram igualmente infraestruturas públicas, incluindo a Escola Primária de Pinda e um instituto de formação local, frequentados por cerca de 1.250 alunos, dos quais 900 na escola primária e 350 no instituto. As aulas decorrem atualmente em tendas disponibilizadas pelo Governo, enquanto decorrem esforços para mobilizar financiamento para novas instalações.
A autarca considerou que a escola primária está localizada numa zona de risco, defendendo que futuras infraestruturas sejam construídas em locais seguros, cabendo a decisão final ao setor da Educação.
Moçambique é um dos países africanos mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, sendo frequentemente afetado por cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.
Na quinta-feira, o Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos anunciou que o Banco Mundial disponibilizou mais de 990 milhões de meticais (13,5 milhões de euros) para financiar obras de emergência de reabilitação de diques e barragens nas bacias do Limpopo, em Gaza, do Incomáti, em Maputo, e do Búzi, em Sofala, severamente afetadas pelas inundações registadas no início do ano.
A última época das chuvas em Moçambique matou 314 pessoas, afetou mais de 1.078 milhões de pessoas e atingiu quase 260 mil casas, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
O balanço envolve a época das chuvas, que habitualmente decorre de outubro a abril, e corresponde a 249.053 famílias afetadas neste período em todo o país.
Há também registo de 19 pessoas ainda desaparecidas e 361 feridos.
Nesta época das chuvas, 211.655 casas foram inundadas, 15.616 casas foram totalmente destruídas e 31.081 parcialmente destruídas.
Só as cheias de janeiro, as mais violentas em vários anos, provocaram 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 715.716 pessoas.