Mais dois moçambicanos mortos em ataque xenófobo na África do Sul
Mais dois cidadãos moçambicanos morreram e outros dois ficaram gravemente feridos num ataque armado terça-feira na província sul-africana de Gauteng, associado à violência contra imigrantes naquele país, anunciaram hoje as autoridades de Maputo.
Segundo um comunicado do Gabinete de Informação de Moçambique (Gabinfo) divulgado hoje, os moçambicanos morreram na sequência de um ataque armado em Primrose, Germiston, e os feridos estão internados numa unidade hospitalar, a receber cuidados médicos.
"O Consulado-geral de Moçambique em Joanesburgo acompanha o caso, mantendo contacto com os familiares das vítimas e diligenciando assistência consular aos cidadãos hospitalizados, bem como apoio no processo de trasladação dos corpos", refere o comunicado.
Segundo o Gabinfo, as autoridades sul-africanas informaram que 38 cidadãos moçambicanos "foram obrigados a abandonar as suas residências" no bairro de Germiston, na sequência de rusgas de grupos anti-imigrantes.
"Está previsto que estes cidadãos sejam encaminhados para o Alto-comissariado de Moçambique em Pretória, onde receberão assistência e serão organizadas as diligências para o seu eventual repatriamento", acrescenta a instituição, garantindo que as autoridades moçambicanas continuam a acompanhar a evolução da situação e a prestar assistência às vítimas.
Com a morte destes dois cidadãos, subiu para 11 o total de moçambicanos mortos nesta última vaga de ataques xenófobos na África do Sul.
Moçambique recebeu 1.363 cidadãos repatriados da África do Sul vítimas de xenofobia, além de 6.156 malauianos que entraram no país em trânsito, afetados pela mesma violência, anunciou terça-feira o porta-voz do Governo, Inocência Impissa.
O Presidente moçambicano já tinha adiantado, em 04 de julho, que o Governo equacionava integrar as vítimas da xenofobia nos megaprojetos em curso no país e noutras vagas de trabalho no exterior, no quadro da cooperação internacional.
Impissa disse ainda que os cidadãos malauianos em trânsito foram transportados para a província de Tete, centro do país, na fronteira entre Maláui e Moçambique.
Manifestantes anti-imigração sul-africanos fizeram um ultimato até 30 de junho, terça-feira da semana passada, para todos os estrangeiros abandonarem o país e o Governo da África do Sul anunciou nos últimos dias restrições às políticas migratórias e o reforço da segurança, com Moçambique a receber na terça-feira mais 65 cidadãos repatriados.
Moçambique tem cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que "milhares" já regressaram ao país face à violência.