Mali. Ministro da Defesa morreu em ataque de rebeldes no sábado

Mali. Ministro da Defesa morreu em ataque de rebeldes no sábado

O ministro da Defesa do Mali, Sadio Camara, um dos principais líderes da junta militar no poder desde 2020, foi morto no sábado durante um ataque de rebeldes separatistas em Kati, anunciaram hoje fontes oficiais.

Lusa /
Foto: Aboubacar Traore - Reuters

"No ataque em Kati, o ministro Camara foi morto, assim como a sua segunda mulher", disse um membro da família do militar à agência de notícias francesa AFP.

A notícia da morte de Camara, corroborada por uma fonte governamental e por diversas fontes militares, foi divulgada por vários meios de comunicação, incluindo a rádio francesa RFI, a televisão do Qatar Al Jazeera ou a publicação Africa Report.

Segundo fontes familiares e militares citadas pela RFI, Camara morreu após um ataque com um camião armadilhado à sua residência em Kati, nos arredores de Bamako.

A RFI disse que no ataque morreram também um das mulheres de Camara e dois dos netos, bem como outros civis que se encontravam na habitação.

A mesma rádio noticiou que o líder da junta militar maliana, Assimi Goita, foi retirado de Kati para um local seguro, enquanto um outro general ficou ferido e recebeu tratamento numa clínica da capital.

Camara era considerado uma figura central no regime militar liderado por Goita e desempenhou um papel determinante na aproximação estratégica com a Rússia, bem como na reestruturação das alianças de segurança na região do Sahel.

A morte de Camara ocorre num contexto de forte recrudescimento da violência e de ofensivas coordenadas lançadas no sábado por grupos armados em várias regiões do território maliano.

Os combates foram retomados hoje no Mali entre grupos rebeldes e o exército, apoiado por mercenários russos, em Kidal (norte) e Kati.

Os rebeldes tuaregues anunciaram que alcançaram um acordo que permite aos soldados russos do Africa Corps retirarem-se de Kidal, cidade que os separatistas afirmam agora controlar totalmente.

A Frente de Libertação do Azawad (FLA), que reivindica o território do norte do Mali, já tinha assegurado no sábado que assumira o controlo de Kidal após combates intensos.

O grupo lançou a ofensiva em coordenação com os jihadistas do Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (JNIM, aliado da Al-Qaida), segundo a AFP.

Embora o Mali enfrente conflitos e violência extremista há mais de uma década, a ofensiva simultânea entre o JNIM e a FLA não tem precedentes desde que a junta militar assumiu o poder, em 2020.

Desde o amanhecer de sábado, os confrontos opuseram o exército aos atacantes na periferia de Bamako e em várias cidades estratégicas, como Gao e Sévaré.

O Governo maliano disse no sábado à noite que os combates tinham causado 16 feridos, entre civis e militares, e "danos materiais limitados", mas que a situação estava "totalmente sob controlo em todas as localidades".

A União Europeia (UE) condenou hoje "firmemente os ataques terroristas" no Mali e manifestou-se solidária com o povo maliano num comunicado divulgado pelos serviços da chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas.

"Reafirmamos a nossa determinação na luta contra o terrorismo, bem como o nosso compromisso a favor da paz, da segurança e da estabilidade no Mali e em todo o Sahel", acrescentou.

Na mesma linha, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) condenou hoje energicamente os "ataques terroristas" no Mali.

"Estes atos hediondos demonstram mais uma vez a natureza bárbara dos autores, que continuam a ameaçar a paz, a segurança e a estabilidade em toda a sub-região da África Ocidental", afirmou a organização com sede em Abuja, na Nigéria.

A CEDEAO apelou à união e mobilização de todos os Estados, forças de segurança, mecanismos regionais e populações da região num "esforço coordenado para lutar" contra o flagelo do terrorismo.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, também condenou no sábado o "extremismo violento" no Mali e apelou a "um apoio internacional coordenado para enfrentar a ameaça evolutiva do extremismo violento e do terrorismo no Sahel".
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