Manifestações violentas lançam o caos em Banguecoque

Manifestações violentas lançam o caos em Banguecoque

Os activistas anti-Governo reagiram com fúria à declaração de "Estado de Excepção" em seis províncias do país. Nem os blindados do exército conseguiram parar a fúria da multidão. Os estrangeiros, nomeadamente os portugueses, encontram-se bem.

Eduardo Caetano, RTP /
Manifestantes apedrejam a viatura do ministro do Interior tailandês STR, EPA

«Quero dizer aos manifestantes que não têm o direito de violar a lei ou de restringir os direitos dos outros. Caso contrário, o governo irá mais longe no âmbito do estado de emergência», declarou Abhisit Vejjajiva, numa intervenção televisiva ao anunciar ao seu povo a imposição do Estado de Emergência e do recolher obrigatório.

A Tailândia vive horas tumultuosas. O Governo declarou este domingo, o estado de Excepção em seis províncias e os militares vieram para a rua para tentar repor a ordem na capital do país, onde milhares de manifestantes, de acordo com a polícia mais de 15 mil, estão "acampados" em frente à sede do Governo desde 26 de Março.

A declaração do Estado de Excepção surge de uma série de graves incidentes que culminaram no sábado com a invasão do hotel em Pataya onde se deveria ter realizado uma cimeira asiática, cuja realização foi anulada e adiada.

A tensão aumentou quando as autoridades tailandesas prenderam o líder dos manifestantes em Pataya, o antigo canceonetista pop Arisman Pongreungrong. Logo que a detenção foi conhecida muitos milhares de manifestantes percorreram as ruas de Banguecoque a reclamar a sua libertação.

Ao declarar o "Estado de Excepção", o primeiro-ministro tailandês espera conseguir o retorno à calma, já que pelo regime de excepção agora instituído em seis províncias, são proibidas as aglomerações de mais de cinco pessoas. Caso essa ordem não seja acatada, as autoridades tailandesas já ameaçaram com o uso da força.

Milhares de "Camisas Vermelhas" - assim são conhecidos os partidários do antigo Primeiro-Ministro, no exílio, Thaksin Shinawatra - reuniram-se esta manhã em redor do ministério do Interior. Alguns manifestantes chegaram mesmo a apoderar-se de algumas armas de fogo e fazer tiro para o ar, de acordo com o repórter da AFP, no local.

Uma viatura na qual pensavam os manifestantes fazer-se transportar o primeiro-ministro em exercício, foi violentamente apedrejada e batida com paus.

A violência na capital tailandesa já provocou até ao momento, pelo menos, seis feridos.

Os militares estão na rua oficialmente para proteger as instalações e os imóveis oficiais, mas há já denúncias de quem tenha vista camisas vermelhas andarem armados ao pé de veículos militares perante a passividade dos mesmos.Há ruas cortadas e os centros comerciais receberam ordem de encerrarem as portas.

O vice-primeiro-ministro instou os militares "a cumprirem o seu dever, o qual é fazer o seu melhor para restaurar a normalidade o mais rápido possível".

Apesar das instruções para usarem , se necessário for, a força para reprimir as manifestações e os actos chamados de vandalismo dos manifestantes, as forças armadas têm se mostrado bastante relutantes no uso de meios mais repressivos, contra os tailandeses que se manifestam nas ruas.

Há notícias de que alguns manifestantes terão tomado posse de viaturas militares, estando por apurar que tipo de viaturas, se de combate ou de transporte de tropas. Há versões contraditórias.

Se o general Supom Phansua, porta-voz da polícia municipal de Banguecoque, revelou que os manifestantes "espalharam-se por muitos locais de Banguecoque, apoderaram-se de um tanque e de uma viatura blindada", já um dos líderes dos manifestantes, Hweng Tojirakarn, afirmou que os seus partidários se tinham apoderado de "uma viatura blindada e dois tanques".

Antigo primeiro-ministro incita à rebelião

Esta é a terceira vez nos últimos oito meses que as autoridades tailandesas se vêm obrigadas a declarar o "Estado de Emergência". Thaksin Shinawatra, derrubado em 2006 pelos militares leiais ao rei e que fugiu para o estrangeiro para fugir a uma condenação e a diversos inquéritos de acusações de corrupção, mantém-se um homem muito popular naquele país do sudeste asiático.

Não deixando os seus créditos em mãos alheias, Shinawatra, de imediato, telefonou no final deste domingo aos militares terem-se abstido de intervir pela força para pôr fim às manifestações. O telefonema do antigo homem forte da Tailândia foi retransmitido em directo para os manifestantes que se concentravam em Banguecoque.

Os soldados "podem juntar-se aos camisas vermelhos para nos ajudar a alcançar a democracia para o povo", disse Thaksin Shinawatra.

"É um momento de ouro. Vamos escrever a história e não haverá mais golpes de Estado na Tailândia", prosseguiu.

"Vou observar atentamente a situação e à menor violência voltarei à Tailândia imediatamente. Não permitirei que eles usem a força", prometeu.

Estrangeiros encontram-se bem

Os portugueses encontram-se bem e Pedro Lobo, turista português, disse à RTP que não tem havido manifestações da parte da oposição que se manifesta nas ruas contra os estrangeiros que têm sido respeitados e até defendidos.

Aconselhados pelas forças de segurança, os estrangeiros encontram-se recolhidos nos hóteis ou em casas particulares.

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