Manifestantes contra a corrupção e o governo de Lula da Silva
Cerca de 15 mil pessoas participaram hoje numa marcha em Brasília contra a corrupção e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O protesto, organizado por entidades sindicais e agremiações brasileiras de esquerda, como o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU) e o Partido Socialismo e Liberdade (P-Sol), ocorre um dia após manifestação em defesa do mandato do presidente Lula.
Ao contrário do acto público de terça-feira, os manifestantes, hoje em maior número, carregam faixas e cartazes com dizeres como "Fora Lula" e "Lula Sabia", em referência às denúncias sobre a existência de um "saco azul" do Partido dos Trabalhadores (PT), usado para pagar dívidas de campanha e as alegadas mesadas a deputados em troca de votos - o "mensalão".
Em frente do Palácio do Planalto, os participantes da manifestação queimaram bandeiras do PT e faixas com o nome do presidente Lula da Silva.
A palavra "impeachment"(impugnação), entretanto, não foi usada pelos organizadores do protesto, cujo principal objectivo é o combate à corrupção.
Cerca de 400 polícias acompanharam o acto público, mas não foram registados incidentes.
Profissionais da Justiça realizaram também um acto público hoje, em Brasília, contra a corrupção e a favor da ética na política.
No encontro, magistrados, promotores e procuradores de Justiça de todo o Brasil divulgaram uma carta pedindo uma investigação rigorosa e a punição exemplar de todos os culpados.
O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Rodrigo Collaço, esclareceu que "o acto não é nem a favor nem contra o governo".
"É contra a corrupção e contra a banalização do crime eleitoral", frisou.
O presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, João de Deus Rocha, garantiu que as instituições jurídicas jamais irão admitir qualquer proposta de restringir a investigação dos factos, sob o pretexto de assegurar a governação ou com a intenção de poupar alguém alvo de denúncia.
A crise política brasileira iniciou-se em meados de Maio e as denúncias de corrupção, que envolvem inclusivamente o envio ilegal de dinheiro para o exterior, estão a ser investigadas por duas Comissões Parlamentares de Inquérito no Congresso Nacional.
As investigações podem levar à cassação do mandato de diversos deputados, entre eles o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, antigo "homem forte" do governo Lula da Silva.