Mundo
Manifestantes e contra-manifestantes egípcios em rota de colisão
A "marcha da última oportunidade", como lhe chamavam alguns dos organizadores, era suposta estender a mão aos militares, pela última vez, para que encontrassem uma fórmula de transição aceitável para o movimento democrático. Prematuramente, chamou-se-lhe também "marcha do milhão". Afinal, são milhares que permanecem na Praça Tahrir e centenas que bloqueiam as portas da sede do Governo. E prepara-se uma contra-manifestação a favor dos militares.
Segundo a Agência France Press, centenas de manifestantes bloqueavam hoje ao anoitecer o acesso do designado primeiro-minsitro, Kamal el-Ganzouri, à sede do Governo egípcio. Ganzouri tinha-se demarcado do seu antigo mentor, Hosni Mubarajk, quando começou a vaga de contestação que conduziu à queda da ditadura. Mas a demarcação foi insuficiente para lançar no esquecimento a outra parte essencial do seu curriculum - a de primeiro-ministro do mesmo Mubarak de 1996 a 1999.
Ganzouri afirmou que a composição do seu Governo só seria anunciada depois das eleições, marcadas para segunda feira, e procurou tranquilizar a rua egípcia com a garantia verbal de que o marechal Hussein Tantaoui, chefe do Conselho Superior das Forças Armadas (CSFA) pretende afastar-se do poder e que ele próprio, como primeiro-ministro civil, dispóe de amplos poderes.
O movimento democrático receia um continuismo da ditadura, favorecido pelos militares, que sacrificaram o ditador, mas repescaram o seu antigo primeiro-ministro e convocam agora eleições sem se terem afastado completamente do poder e sem terem renunciado inteiramente às possibilidades de manipulação eleitoral que este lhes confere. Por isso mesmo, os ocupantes da Praça Tahrir têm vindo a reclamar a constituição de um governo civil "de salvação nacional", e o adiamento das eleições.
A nomeação de Ganzouri parece formalmente constituir uma cedência a essa reivindicação, de passagem do poder para mãos civis, mas acaba por ser esvaziada de tal conteúdo pela circunstância mesma de as eleições se realizarem antes de esse governo tomar posse ou, sequer, ver divulgada a sua composição. E também a dilatação, por mais um dia, do prazo para a realização das eleições parece constituir uma cedência formal, sem maiores implicações na substaância.
Entretanto, a escassos quilómetros da Praça Tahrir, junto à ponte de Abbasyia, está a concentrar-se uma outra manifestação, neste caso favorárel ao poder militar ainda em funções. Alguns dos seus slogans apresentam um aspecto conciliador ("Polícia, exército, povo, lado a lado"), alguns outros são focados numa tomada de posição a favor dos militares ("Marechal, nós amamos-te"), outros ainda constituem verdadeiro incitamento à violência ("Abaixo Tahrir!" ou "Abaixo ElBaradei!").
Ganzouri afirmou que a composição do seu Governo só seria anunciada depois das eleições, marcadas para segunda feira, e procurou tranquilizar a rua egípcia com a garantia verbal de que o marechal Hussein Tantaoui, chefe do Conselho Superior das Forças Armadas (CSFA) pretende afastar-se do poder e que ele próprio, como primeiro-ministro civil, dispóe de amplos poderes.
O movimento democrático receia um continuismo da ditadura, favorecido pelos militares, que sacrificaram o ditador, mas repescaram o seu antigo primeiro-ministro e convocam agora eleições sem se terem afastado completamente do poder e sem terem renunciado inteiramente às possibilidades de manipulação eleitoral que este lhes confere. Por isso mesmo, os ocupantes da Praça Tahrir têm vindo a reclamar a constituição de um governo civil "de salvação nacional", e o adiamento das eleições.
A nomeação de Ganzouri parece formalmente constituir uma cedência a essa reivindicação, de passagem do poder para mãos civis, mas acaba por ser esvaziada de tal conteúdo pela circunstância mesma de as eleições se realizarem antes de esse governo tomar posse ou, sequer, ver divulgada a sua composição. E também a dilatação, por mais um dia, do prazo para a realização das eleições parece constituir uma cedência formal, sem maiores implicações na substaância.
Entretanto, a escassos quilómetros da Praça Tahrir, junto à ponte de Abbasyia, está a concentrar-se uma outra manifestação, neste caso favorárel ao poder militar ainda em funções. Alguns dos seus slogans apresentam um aspecto conciliador ("Polícia, exército, povo, lado a lado"), alguns outros são focados numa tomada de posição a favor dos militares ("Marechal, nós amamos-te"), outros ainda constituem verdadeiro incitamento à violência ("Abaixo Tahrir!" ou "Abaixo ElBaradei!").