Manifestantes interpelaram embaixador da Serra Leoa em Londres
Dezenas de manifestantes concentraram-se hoje junto à embaixada da Serra Leoa em Londres para exigir maior pressão da comunidade africana sobre os militares no poder na Guiné-Bissau para libertarem o líder da oposição, Domingos Simões Pereira.
Cerca de 40 manifestantes gritavam palavras de ordem pelas 15:00, quando viram uma viatura a recuar para as traseiras do edifício e correram para interpelarem o embaixador, Morie Komba Manyeh, que tentava evitar o protesto.
Após uma troca de palavras, um dos líderes da manifestação, Armando Conté, reivindicou "vitória" porque conseguiram falar com o diplomata, antigo ministro das Minas e Recursos Minerais da Serra Leoa.
"Essa é a quinta vez, nós já enviámos cinco cartas. A última carta foi antes de ontem, que foi um email, e eu vim aqui pessoalmente entregar a cópia e [avisar] que vínhamos falar com o embaixador. Só que o embaixador nunca nos recebeu", disse Conté à agência Lusa.
Os manifestantes expressaram "frustração" pela falta de intervenção da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), cuja presidência rotativa é atualmente exercida pelo chefe de Estado da Serra Leoa, Julius Maada Bio.
Os chefes de Estado e de Governo da organização reúnem-se em cimeira este fim de semana, mas o embaixador não pode garantir que a questão da Guiné-Bissau seja abordada.
"Ele disse que na próxima semana não está, mas daqui a duas semanas podia receber-nos. Mas para mim é irrelevante. É irrelevante por quê? Porque a CEDEAO já vai mudar a liderança", disse Conté.
Os manifestantes deslocaram depois o protesto de local umas dezenas de metros para junto da embaixada do Senegal, que detém a presidência da Comissão da CEDEAO.
Em breve, tencionam escrever aos deputados britânicos dos respetivos círculos eleitorais para os sensibilizar para a situação política na Guiné-Bissau, além de continuar a mobilizar-se para mais protestos.
"Já fomos à Embaixada de Angola, quando Angola tinha a direção da União Africana, há duas semanas fomos à Embaixada de Burundi, porque é líder da União Africana. Fomos à Amnistia Internacional, Liga dos Direitos Humanos, Jornalistas Sem Fronteiras, a Embaixada do Senegal e aqui. Não vamos desistir", prometeu o ativista.
O presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, está em prisão preventiva desde sexta-feira nas celas da Segunda Esquadra da Polícia de Ordem Pública (POP), em Bissau, após um período em prisão domiciliária.
O dirigente foi detido inicialmente na sequência do golpe militar de 26 de novembro e, após dois meses na cadeia, regressou a casa com termo de identidade e residência, mas impedido de se movimentar.
O partido e Simões Pereira apoiaram o candidato Fernando Dias da Costa, que reclamou vitória na primeira volta das eleições, realizadas em novembro passado, sobre o Presidente e recandidato Umaro Sissoco Embaló.
Antes da divulgação dos resultados oficiais, os militares tomaram o poder, depuseram Embaló e prenderam Simões Pereira.
A oposição classifica o golpe militar como uma alegada encenação do antigo Presidente da República, a quem acusa de continuar a comandar os destinos da Guiné-Bissau.
O Alto Comando Militar que governa o país marcou novas eleições para 06 de dezembro, aprovou uma nova Constituição que atribui mais poderes ao chefe de Estado e que será submetida a referendo em 30 de agosto.