Manifestantes num centro de imigração do Texas condenados por terrorismo
Oito manifestantes acusados pelo Departamento de Justiça federal de ligações à antifa foram condenados hoje a décadas de prisão pelo tiroteio fora de um centro de detenção de imigração no Texas, que os procuradores classificaram como ato terrorista.
Um dos réus, um ex-membro do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA na reserva foi condenado a 100 anos de prisão, a pena máxima, por disparar durante a manifestação de 04 de julho fora do Centro de Detenção Prairieland, perto de Dallas.
As longas sentenças foram condenadas pelos familiares e apoiantes numa conferência de imprensa fora do tribunal federal em Fort Worth. Hope Song, cujo filho Benjamin Song recebeu a sentença mais pesada, contestou as alegações dos procuradores de que ele teria disparado contra o polícia e disse que Song não tinha intenção de magoar ninguém.
O juiz distrital dos EUA, Reed O`Connor, um dos dois magistrados responsáveis pelos processos, disse que o que aconteceu não foi um protesto, mas "um ataque à democracia."
"O caso evidencia a necessidade de dissuadir este tipo de comportamento", afirmou O`Connor.
Os outros sete manifestantes tiveram penas de prisão que variam entre 30 e 70 anos.
Os procuradores afirmaram que os oito são membros da antifa, uma organização antifascista descentralizada e alvo da administração Trump.
A antifa não é uma organização única, mas sim uma espécie de guarda-chuva para grupos militantes de extrema-esquerda que confrontam ou resistem a neonazis e supremacistas brancos em manifestações.
O presidente Donald Trump assinou no outono passado uma ordem executiva designando a antifa como uma organização terrorista doméstica, embora não exista um equivalente a nível interno na lista do Departamento de Estado de organizações terroristas estrangeiras.
Os réus negam qualquer filiação na antifa e afirmam que participaram na manifestação em apoio aos imigrantes detidos.
O procurador Frank Gatto pediu ao juiz para impor penalizações severas aos arguidos. "Pessoas com esse tipo de crenças extremistas precisam de mais tempo na prisão," frisou Gatto. "Eles acreditam que a violência é justificada", acrescentou.
Phillip Hayes, advogado de Song, disse fora do tribunal que discorda da ideia de que os manifestantes são extremistas. "São um grupo de jovens e adultos que realmente têm um grande coração e realmente queriam que a sua voz fosse ouvida", afirmou Hayes.
"Nunca foi intenção que alguém se magoasse. Nunca foi intenção que se disparasse qualquer tiro", adiantou.
Os procuradores disseram em tribunal que Song gritou "pessoalizam para os rifles" e começou a disparar, atingindo um polícia que acabara de chegar ao centro.
Hayes argumentou que os tiros de Song foram "disparos de supressão" e que uma bala de ricochete atingiu o polícia, que ficou ferido naquela manifestação, depois de ele ter chegado ao local e ter retirado a arma de forma "agressiva".
O advogado sublinhou que o seu cliente vai recorrer da sentença de 100 anos. "Song, à parte este dia, teve uma vida impecável. Ex-Marine. Um bom estudante", realçou Hayes. "Tinha muitas qualidades boas que foram simplesmente ignoradas. O juiz foi em frente e deu o máximo que pôde", concluiu.
Outros réus e os seus familiares pediram clemência em tribunal. Autumn Hill disse sobre a reunião: "parecia-me mais uma festa do que qualquer outra coisa" e que ela e outros que participaram "não esperavam nem queriam que ocorresse qualquer violência ou destruição de propriedade."
Amber Lowrey disse ao juiz que a sua irmã, Savanna Batten, é uma pessoa pacifica com sonhos de abrir uma pastelaria. E acrescentou que o ativismo de Batten começou pelos direitos dos animais e evoluiu para a defesa dos direitos humanos e contra a guerra. "Ela é a melhor pessoa que conheço", afirmou Lowrey.
Hill e Batten receberam ambos penas de 50 anos. Outros réus já se tinham declarado culpados por ter dado apoio material a terroristas em vez de levar o caso a julgamento.
Na semana passada, os procuradores federais acusaram 15 pessoas de dificultarem a repressão à imigração da administração Trump no Minnesota.