Manifestantes "ocupam" hoje várias cidades e recebem apoio de grande sindicato
Toronto, Canadá, 15 out (Lusa) - "Ocupemos Canadá" é o movimento que hoje chega às ruas em várias cidades canadianas, contando com o apoio público do maior sindicato do país, o CAW, dominante nos setores automóvel e de transportes.
Aguarda-se que milhares de pessoas se juntem aos protestos marcados para os corações financeiros das cidades de Toronto (conhecido por Bay Street), Montreal (Square Victoria), e Vancouver (na baixa, junto ao distrito financeiro), sob os olhares vigilantes das forças policiais.
As declarações à imprensa por parte de organizadores dos protestos têm sido praticamente inexistentes, uma estratégia deliberada de manter anonimato e de não revelar dados, como os locais de concentração e de acampamento, até hoje, o "dia D".
A agência Lusa tentou vários contactos ao longo da semana com o "Occupy Toronto", mas não obteve quaisquer respostas.
A informação sobre as "ocupações" canadianas anti Wall Street, assim como a grande via de adesão, baseia-se em redes sociais, foros de discussão e blogues na Internet.
A título de exemplo, o "Occupy Canada" contabilizava na sua página do Facebook o número de simpatizantes ao seu movimento, apontando ter 14 mil cliques "gosto" e 21 mil "falam sobre isto".
Por sua vez, o "Occupy [a Bolsa de] Toronto" afirma ser um movimento não violento que pretende enviar "uma mensagem ao setor financeiro mundial de que os bancos existem para nos servir, e não o contrário, e que as práticas de especulação e dos empréstimos [bancários] com base no sistema da reserva fracionada criaram uma grande desigualdade e deixaram de ser sistemas válidos".
O "Occupy Montreal - Occupons Montréal", num apelo em inglês e francês na província do Quebeque, solicitava na véspera a entrega de roupas quentes, comida e outros equipamentos, o que clarifica os intentos de acampamento.
Estes movimentos nascidos de forma espontânea nas últimas semanas em vários pontos do Canadá, na sequência das ocupações em Wall Street, nos Estados Unidos, receberam os apoios recentes de alguns dos principais sindicatos no país, entre os quais o CAW (Canadian Auto Workers), que conta mais de 200 mil membros de várias áreas de atividade, nomeadamente dos setores automóvel, transportes, indústria mineira, reparação naval e saúde.
Numa mensagem, o presidente do CAW, Ken Lewenza, dava o apoio aos "esforços de ocupação no Canadá" e exortava os seus sindicalizados a participarem nas manifestações de hoje.
Questionado pela Lusa, Duarte Miranda, conselheiro para a internacionalização da economia portuguesa no Canadá e antigo executivo do maior banco canadiano (o Royal Bank of Canada), manifesta-se contra estes movimentos que, tal como em Wall Street, reinvindicam igualdade e justiça económicas.
"Concordo que o setor financeiro canadiano, e em particular a banca, ocupa cada vez mais espaço no nosso quotidiano coletivo, mas não podemos minimizar o facto de o Canadá ter hoje, sem dúvida alguma, a banca mais sólida e estável do mundo. Mas são organismos muito mais poderosos do que deveriam ser", comentou.
Em contraponto, salientou, "a situação em Wall Street é, a meu ver, diferente, e eu entendo e simpatizo com o movimento que se levantou por lá. O setor financeiro americano foi descaradamente egoísta e interesseiro, e causou danos irreparáveis, no meu ponto de vista, tanto na economia como na sociedade americanas".
Para este ex-gestor português, se estes movimentos e manifestações se acentuarem são previsíveis, a médio prazo, mudanças nas maneiras de governar e de fazer negócios.
"O que está a ocorrer na Europa hoje, mais do que nos Estados Unidos até, poderá ter enormes repercussões para os governos e empresas, caso os dirigentes políticos não cheguem a encontrar soluções rapidamente", advertiu.