Marcha de provocação ao Ocidente marca Dia da Unidade na Rússia

Marcha de provocação ao Ocidente marca Dia da Unidade na Rússia

Dezenas de milhares de russos estiveram esta terça-feira em marcha em Moscovo, com bandeiras e faixas proclamando a Rússia enquanto grande potência mundial. A parada é um evento anual que, este ano, aposta na provocação ao Ocidente por causa da Ucrânia.

João Ferreira Pelarigo, RTP /
Pessoas marcham com faixas e bandeiras nas ruas de Moscovo durante o Dia da Unidade, na Rússia Sergei Karpukhin, Reuters

A marcha está integrada nas comemorações do Dia da Unidade, mas o presidente Vladimir Putin não quis participar na parada. Mais tarde, fez um discurso consagrando o papel da Rússia como moralmente superior na relação com o Ocidente, fazendo referência também a uma maior união do país num panorama de “desafios difíceis”.O Dia da Unidade celebra um movimento popular contra a invasão polaca de 1612. Este dia foi popularizado por Putin em 2005 e celebra-se, desde então, anualmente.

Outros políticos mostraram o seu fervor patriótico num concerto após a marcha, com uma adesão de cerca de 70 mil pessoas, muitas delas dançando e cantando com as bandeiras russas.

Houve ainda quem erguesse faixas com inscrições como “Um povo que é unido é um povo que não pode ser vencido” e “a nossa união é a nossa força”. Vários manifestantes mostraram ainda o seu apoio aos separatistas pró-russos que lutam no leste ucraniano.
Discursos a favor dos separatistas
Perto da Praça Vermelha, o líder comunista Gennady Zyuganov pediu reconhecimento russo nas eleições realizadas no domingo para legitimar os separatistas autoproclamados das Repúblicas Populares de Donetsk e de Luhansk no leste da Ucrânia.

Por sua vez, o líder populista Vladimir Zhirinovsky saudou Putin, num discurso aceso, pela recuperação da Crimeia em março e desdenhou as sanções impostas pelo Ocidente devido ao papel da Rússia no recente conflito da Ucrânia.Novorossiya significa Estado Federal da Nova Rússia e é um estado confederativo não-reconhecido internacionalmente que reclama como território as atuais regiões ucranianas de Donetsk e Lugansk. Malorossiya refere-se à Pequena Rússia e compreende partes do atual território da moderna Ucrânia.

"E o Dia da Unidade vai chegar à Ucrânia, mas também vai ser Dia da Unidade em Novorossiya e Malorossiya, e deixem as pessoas da Ucrânia ocidental ter o seu pequeno estado de poder", disse Zhirinovsky, referindo-se ao território ucraniano que alguns nacionalistas defendem ser historicamente russo.

"Os Estados Unidos podem celebrar o Dia da Independência, mas devem recordar-se que as forças russas ajudaram-nos nos conflitos com os colonialistas britânicos. Os europeus podem falar de Democracia e Direitos Humanos, mas o exército soviético libertou a Europa do fascismo que está novamente a crescer na Ucrânia ocidental e outras regiões", concluiu Zhirinovsky.
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