Maria de Lurdes Rodrigues aponta Escola Portuguesa em Maputo como exemplo para congéneres em Portugal

Maria de Lurdes Rodrigues aponta Escola Portuguesa em Maputo como exemplo para congéneres em Portugal

A ministra da Educação portuguesa, Maria de Lurdes Rodrigues, apontou hoje a Escola Portuguesa de Moçambique (EPM) como um exemplo de "óptimas práticas" a seguir pelos estabelecimentos de ensino em Portugal.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

No final de uma demorada visita à escola, localizada numa zona limítrofe de Maputo e albergando 1250 alunos de 24 nacionalidades diferentes, Maria de Lurdes Rodrigues apontou os ingredientes da EPM que gostaria de ver generalizados nas escolas nacionais.

"O espaço físico e a modernização do equipamento. Infelizmente não temos ainda generalizadas estas condições físicas. Estamos longe de poder dizer que temos todas as escolas com este nível de qualidade", referiu a titular da pasta da Educação.

Mas, sustentou, "o mais importante são as lideranças e o trabalho de envolvimento dos professores na qualidade do ensino e na garantia dos resultados escolares dos alunos".

Acrescem a "capacidade de integrar efectivamente todos os alunos" independentemente de diferenças nos seus "pontos de partida", a "capacidade de envolver os elementos da comunidade educativa" e o "relacionamento qualitativo com a comunidade em que se insere a escola".

"Tudo isso encontramos na Escola Portuguesa de Moçambique", resumiu.

O elogio ao estabelecimento de ensino, que abriu as portas no ano lectivo de 1999/2000, culminou um périplo pela escola, onde Maria de Lurdes Rodrigues foi recebida com um cesto de flores e bandeiras portuguesas e moçambicanas agitadas no ar por algumas dezenas de crianças.

Ao longo de cerca de três horas, e seguindo à risca um guião devidamente ensaiado, a titular da pasta da Educação assistiu a demonstrações de karaté, judo e ginástica, ouviu "performances" de violinos, canto e dança, assistiu à leitura de sonetos de Camões e até descerrou uma lápide dourada alusiva à sua passagem pela escola.

Entre a "reluzente" biblioteca José Craveirinha, com 10 mil títulos nas estantes, o laboratório, as salas de informática e o quadro de honra, onde estão pendurados retratos dos melhores alunos de cada ano lectivo, a ministra da Educação teve ainda tempo para atravessar os pátios interiores encimados por buganvílias, onde se passeiam pavões e galinhas do mato.

A opulência do momento estendeu-se às próprias salas de aula, no momento de pedir aos alunos que elucidarem a assistência sobre a personalidade vinda de longe que tinham diante de si.

"Ela educa e coordena o país", afirmou com ar grave Michelle, de 10 anos, uma sentença logo validada pelos professores que assistiam: "Sim, é isso mesmo, muito bem".

A visita não terminou, contudo, sem que voltasse a ser lembrado à governante a ausência de personalidade jurídica da escola - o acordo de cooperação constitutivo da escola, assinado em Julho de 1995 entre Portugal e Moçambique, nunca foi publicado em Diário da República no país de acolhimento, formalidade essencial para que seja conferida existência jurídica ao estabelecimento de ensino.

"Estamos fartos de indecisões e de palmadinhas nas costas", chegou a afirmar um auto-intitulado "porta-voz das famílias", chamado a intervir na sessão de encerramento da visita, secundado pela directora da escola, Albina Santos Silva, que se ficou por uma referência breve, em jeito de lembrete, à existência do problema.

"Não gostaria que quando se falasse na escola portuguesa se valorizasse a questão de ter ou não natureza jurídica", afirmou Maria de Lurdes Rodrigues, ao rematar a sua intervenção de improviso, lembrando que Portugal e Moçambique acordaram reapreciar o protocolo constitutivo da escola.

"Começámos agora a trabalhar. O protocolo que foi assinado já não tem objecto. Foi um protocolo para criar a escola, a escola está criada. Temos que partir para um outro protocolo e foi esse o desafio que lancei ao vice-ministro da Educação, que acolheu a ideia. Agora temos que trabalhar nela", disse.

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