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Marine Le Pen à espreita para conquistar departamentos franceses
Depois de ter conquistado mais de 25 por cento dos votos na primeira volta, a Frente Nacional vai à segunda volta com a ambição de conquistar alguns dos departamentos franceses. O Partido Socialista apela ao voto republicano, enquanto que Nicolas Sarkozy prefere não escolher entre PS e FN. No entanto, alguns dos membros do UMP apelam no voto contra a extrema-direita e, inclusivamente, já houve quem desistisse para ajudar a travar o partido de Le Pen.
A Frente Nacional de Marine Le Pen conquistou mais de 25 por cento do total de votos na primeira volta das eleições departamentais. Embora os números sejam significativos, acabaram por ficar abaixo do que as sondagens indicavam. Além disso, e embora tenha conseguido mais votos, a Frente Nacional não foi o partido mais votado, como tinha sido nas eleições europeias.
A ambição de Marine Le Pen em ser o “premier parti de France” não se concretizou. No entanto, a FN não deixou de aumentar a sua presença local de forma substancial, no que muitos veem uma alavanca para as presidenciais de 2017. Peça de Margarida Neves de Sousa e Paulo Nunes – 23 de março de 2015
Mesmo que o partido de Marine Le Pen volte a ter mais de 25 por cento dos votos na segunda volta, o resultado prático desta votação será, sempre, pequeno. Pequeno, mas muito simbólico.
Nas eleições departamentais não bastam os votos – o que é importante são os pares de deputados que se elegem e, consequentemente, o número de deputados que se tem em cada departamento. Só assim haverá realmente poder para o partido de extrema-direita.
Só com um elevado número de deputados no mesmo departamento, o partido de Marine Le Pen pode ambicionar ter algum poder local. Segundo Le Figaro e o Libération, alguns dos 101 departamentos podem mesmo acabar nas mãos de Marine Le Pen. Tudo será decidido no próximo domingo.
Conquistar um departamento
Embora parecesse acreditar que poderia ser o partido mais votado nas departamentais, a líder da Frente Nacional estava ciente de que dificilmente conseguiria controlar um departamento.
“Muito difícil” e “excecional”, eram mesmo adjetivos utilizados pela própria Marine Le Pen antes da primeira volta. Mas isto era antes da primeira volta. Agora, Marine considera que vencer um departamento é, afinal, uma “hipótese credível”.

A análise da imprensa francesa considera que isso pode ocorrer em três ou quatro departamentos, nomeadamente na Vaucluse e no Gard. Estes são lugares onde o partido nacionalista conseguiu eleger pares de deputados logo na primeira volta.
O departamento do Gard, cujo capital é Nîmes, fica também a sul e faz mesmo fronteira com a Vaucluse. É apontado por Le Figaro como um departamento que pode passar a ser governado pela Frente Nacional.
O departamento da Vaucluse, cuja capital é Avignon, fica no sul da França e é a grande esperança do partido. A FN precisa de vencer em mais oito círculos eleitorais para ficar com a maioria no conselho departamental. Ao todo, há 16 cantões ainda em jogo. Em dez destes, os nacionalistas foram o partido mais votado na primeira volta.
Também a sul, o Var é apontado como um potencial futuro bastião nacionalista.
A FN já conseguiu eleger um par de deputados e conseguiu passar à segunda volta em todos os 22 cantões onde esta se vai realizar – em 14 dos quais foi mesmo o partido mais votado. Apesar dos resultados, a direita é que é a grande favorita.
Da Aliança Republicana ao “nem-nem”
Apelar ao voto republicano: esta foi a intenção imediatamente demonstrada pelo primeiro-ministro Manuel Valls no rescaldo da primeira volta. Considerado o grande derrotado da primeira volta, o objetivo dos socialistas parece claro: impedir a ascensão da Frente Nacional.
A coligação liderada pelo ex-Presidente francês Nicolas Sarkozy venceu a primeira volta das eleições departamentais. Em segundo lugar ficou a Frente Nacional, de Marine Le Pen. Os socialistas foram terceiros.
Nesse sentido, o partido apela aos seus eleitores a que, nos círculos em que os socialistas foram eliminados na primeira volta, votem contra a Frente Nacional.
Este é um apelo ao voto no “candidato republicano”, mesmo que este seja da União para um Movimento Popular (UMP) de Nicolas Sarkozy.
Nicolas Sarkozy opta por uma estratégia diferente. O principal partido da oposição opta pela estratégia que a imprensa local apelida de “nem-nem” - nem Partido Socialista, nem Frente Nacional.

Significa isto que o antigo presidente francês prefere não apelar ao voto no partido de Hollande, como forma de travar a ascensão da Frente Nacional - uma estratégia com a qual nem todos os seus apoiantes concordam.
“Não quero que a Frente Nacional conquiste o poder neste departamento e farei tudo para o impedir”, afirmou Jean-Paul Fournier à rádio France Bleu. Fournier é senador, eleito pela UMP, e presidente da Câmara Municipal de Nîmes, a capital do departamento do Gard. Este é precisamente um dos departamentos que a Frente Nacional poderá conquistar.
“Em todos os cantões onde haja um candidato da FN contra um candidato da esquerda, apelo ao voto na frente republicana”, declarou Fournier.
Desistir para travar Le Pen
Também no departamento do Aisne, um dos que podem ficar sob o comando da FN, os candidatos da direita desrespeitam as indicações de Sarkozy. De acordo com Le Monde, três pares de pretendentes decidiram mesmo retirar as suas candidaturas para travar a Frente Nacional.
Eram candidatos que tinham conseguido passar à segunda volta, como terceira força política. Iriam constar nos boletins no próximo domingo, no que os franceses apelidam de “triangulares” – círculos eleitorais em que, na segunda volta, permanecem três candidaturas distintas, na maioria dos casos, da UMP, Frente Nacional e do PS.

Em muitos casos, foi mesmo a Frente Nacional a conseguir o maior número de votos na primeira volta. Ao retirar a sua candidatura, os candidatos tentam evitar a dispersão dos votos entre o PS e o UMP e, como tal, travar o partido da família Le Pen.
“Queremos dar todas as oportunidades ao partido republicano. É uma questão moral”, explica Eric Mangin, um dos candidatos da UMP que retirou a sua candidatura.
“Quando ouço as propostas de Marine Le Pen, que esteve ausente da marcha que se realizou após os atentados” ao Charlie Hebdo, “penso que é melhor ganhar o PS, mesmo que eu os combata a nível departamental”, conclui Mangin que critica a estratégia do “nem-nem” seguida pelo partido.
As eleições departamentais
As eleições departamentais realizam-se este ano pela primeira vez e vieram substituir as eleições cantonais. Este ato eleitoral passa a realizar-se todos os seis anos para eleger os membros dos Conselhos Departamentais. O Conselho funciona como a assembleia dos departamentos, uma unidade geográfica e política que se encontra entre as regiões e os municípios.
Cada um dos 2054 cantões (círculos eleitorais) elege dois deputados departamentais, um homem e uma mulher que figuram na mesma lista. Esta foi a forma apresentada pelos responsáveis gauleses para assegurar a paridade de género nos órgãos departamentais.
Para ser eleito à primeira volta, o par de candidatos tinha de obter mais de 50% dos votos no seu círculo. Mesmo assim, só ficaria eleito se, pelo menos, 25 por cento dos eleitores inscritos tivessem ido às urnas.
Na primeira volta de dia 22 de março, foram já eleitos 149 pares de deputados departamentais, dos quais 82 fazem parte das listas apoiadas pelo partido de Nicolas Sarkozy e 20 das alas da esquerda apoiadas pelo partido do Presidente François Hollande.
A Frente Nacional de Marine Le Pen conseguiu eleger quatro pares de deputados departamentais na primeira volta.
Na segunda volta serão atribuídos os restantes 3810 postos de conselheiro departamental, ou seja, serão eleitos 1905 pares de deputados.
Tal como nas eleições legislativas portuguesas, a eleição de deputados acaba por traduzir quem irá exercer o poder executivo e é isso mesmo que está, em última instância, em jogo. A Assembleia terá a responsabilidade de eleger o novo Presidente do Conselho Departamental que exercerá o poder executivo.
O que são os departamentos?
Os departamentos são agrupamentos que aglomeram municípios. Por sua vez, estes são agrupados numa das regiões francesas. A título de exemplo, o departamento do Val-de-Marne, na periferia de Paris, tem um orçamento superior a 1,6 mil milhões de euros para 2015 – mais do dobro do orçamento do município de Lisboa. Vivem no Val-de-Marne mais de 1,3 milhões de pessoas.
Os departamentos não são meras unidades territoriais, sendo um dos instrumentos de descentralização em França. Estes têm, por exemplo, muito mais competências do que os distritos portugueses.
Existem, ao todo, 101 departamentos, 96 dos quais no território metropolitano. Estes têm responsabilidades, nomeadamente, na conservação de algumas estradas, desenvolvimento dos transportes públicos, escolas, apoio às famílias e no que diz respeito à inserção profissional.
Os departamentos têm ainda responsabilidades ao nível da saúde, do apoio à cultura e no apoio à terceira idade e aos portadores de deficiência.
Marine à conquista do poder
Os resultados totais nacionais são relevantes, essencialmente, nas eleições presidenciais. Nas legislativas e nas departamentais, o fundamental é o número de deputados eleitos, que pode ser completamente diferente da percentagem de votos.
No entanto, os números têm uma importante leitura simbólica - representam a ascensão do partido de extrema-direita, o que faz soar os alarmes. Os jornalistas de Le Monde consideram que a situação é mais grave do que a de 2002, quando Jean-Marie Le Pen conseguiu chegar à segunda volta das presidenciais.


“Marine Le Pen quer conquistar o poder”, lê-se no editorial do jornal que apela à mobilização dos franceses no próximo domingo, mas não só.
“É preciso estar ciente que a FN pode, um dia, ganhar uma eleição presidencial. É necessário atacar o seu programa, de forma metódica, para mostrar todos os seus perigos. É esta a tarefa dos media, dos intelectuais, dos especialistas (…)”, escreve a redação do jornal que apela também aos partidos dito republicanos.
A ascensão dos partidos de extrema-direita na Europa tem preocupado muitos intelectuais e analistas. Em Portugal, Boaventura de Sousa Santos critica a evolução da Frente Nacional no panorama francês.
“A Frente Nacional tem um conteúdo tóxico altamente problemático para a Europa”, afirmou o sociólogo e professor catedrático, em entrevista ao Jornal 2, dando exemplos como o “colaboracionismo com o nazismo”.
No próximo domingo se ficará a conhecer qual o resultado das eleições departamentais em França. No entanto, o verdadeiro teste à Frente Nacional e aos próprios franceses será mesmo nas eleições presidenciais de 2017.
A ambição de Marine Le Pen em ser o “premier parti de France” não se concretizou. No entanto, a FN não deixou de aumentar a sua presença local de forma substancial, no que muitos veem uma alavanca para as presidenciais de 2017. Peça de Margarida Neves de Sousa e Paulo Nunes – 23 de março de 2015
Mesmo que o partido de Marine Le Pen volte a ter mais de 25 por cento dos votos na segunda volta, o resultado prático desta votação será, sempre, pequeno. Pequeno, mas muito simbólico.
Nas eleições departamentais não bastam os votos – o que é importante são os pares de deputados que se elegem e, consequentemente, o número de deputados que se tem em cada departamento. Só assim haverá realmente poder para o partido de extrema-direita.
Só com um elevado número de deputados no mesmo departamento, o partido de Marine Le Pen pode ambicionar ter algum poder local. Segundo Le Figaro e o Libération, alguns dos 101 departamentos podem mesmo acabar nas mãos de Marine Le Pen. Tudo será decidido no próximo domingo.
Conquistar um departamento
Embora parecesse acreditar que poderia ser o partido mais votado nas departamentais, a líder da Frente Nacional estava ciente de que dificilmente conseguiria controlar um departamento.
“Muito difícil” e “excecional”, eram mesmo adjetivos utilizados pela própria Marine Le Pen antes da primeira volta. Mas isto era antes da primeira volta. Agora, Marine considera que vencer um departamento é, afinal, uma “hipótese credível”.
A análise da imprensa francesa considera que isso pode ocorrer em três ou quatro departamentos, nomeadamente na Vaucluse e no Gard. Estes são lugares onde o partido nacionalista conseguiu eleger pares de deputados logo na primeira volta.
O departamento do Gard, cujo capital é Nîmes, fica também a sul e faz mesmo fronteira com a Vaucluse. É apontado por Le Figaro como um departamento que pode passar a ser governado pela Frente Nacional.
O departamento da Vaucluse, cuja capital é Avignon, fica no sul da França e é a grande esperança do partido. A FN precisa de vencer em mais oito círculos eleitorais para ficar com a maioria no conselho departamental. Ao todo, há 16 cantões ainda em jogo. Em dez destes, os nacionalistas foram o partido mais votado na primeira volta.
Também a sul, o Var é apontado como um potencial futuro bastião nacionalista.
A FN já conseguiu eleger um par de deputados e conseguiu passar à segunda volta em todos os 22 cantões onde esta se vai realizar – em 14 dos quais foi mesmo o partido mais votado. Apesar dos resultados, a direita é que é a grande favorita.
Da Aliança Republicana ao “nem-nem”
Apelar ao voto republicano: esta foi a intenção imediatamente demonstrada pelo primeiro-ministro Manuel Valls no rescaldo da primeira volta. Considerado o grande derrotado da primeira volta, o objetivo dos socialistas parece claro: impedir a ascensão da Frente Nacional.
A coligação liderada pelo ex-Presidente francês Nicolas Sarkozy venceu a primeira volta das eleições departamentais. Em segundo lugar ficou a Frente Nacional, de Marine Le Pen. Os socialistas foram terceiros.
Nesse sentido, o partido apela aos seus eleitores a que, nos círculos em que os socialistas foram eliminados na primeira volta, votem contra a Frente Nacional.
Este é um apelo ao voto no “candidato republicano”, mesmo que este seja da União para um Movimento Popular (UMP) de Nicolas Sarkozy.
Nicolas Sarkozy opta por uma estratégia diferente. O principal partido da oposição opta pela estratégia que a imprensa local apelida de “nem-nem” - nem Partido Socialista, nem Frente Nacional.
Significa isto que o antigo presidente francês prefere não apelar ao voto no partido de Hollande, como forma de travar a ascensão da Frente Nacional - uma estratégia com a qual nem todos os seus apoiantes concordam.
“Não quero que a Frente Nacional conquiste o poder neste departamento e farei tudo para o impedir”, afirmou Jean-Paul Fournier à rádio France Bleu. Fournier é senador, eleito pela UMP, e presidente da Câmara Municipal de Nîmes, a capital do departamento do Gard. Este é precisamente um dos departamentos que a Frente Nacional poderá conquistar.
“Em todos os cantões onde haja um candidato da FN contra um candidato da esquerda, apelo ao voto na frente republicana”, declarou Fournier.
Desistir para travar Le Pen
Também no departamento do Aisne, um dos que podem ficar sob o comando da FN, os candidatos da direita desrespeitam as indicações de Sarkozy. De acordo com Le Monde, três pares de pretendentes decidiram mesmo retirar as suas candidaturas para travar a Frente Nacional.
Eram candidatos que tinham conseguido passar à segunda volta, como terceira força política. Iriam constar nos boletins no próximo domingo, no que os franceses apelidam de “triangulares” – círculos eleitorais em que, na segunda volta, permanecem três candidaturas distintas, na maioria dos casos, da UMP, Frente Nacional e do PS.
Em muitos casos, foi mesmo a Frente Nacional a conseguir o maior número de votos na primeira volta. Ao retirar a sua candidatura, os candidatos tentam evitar a dispersão dos votos entre o PS e o UMP e, como tal, travar o partido da família Le Pen.
“Queremos dar todas as oportunidades ao partido republicano. É uma questão moral”, explica Eric Mangin, um dos candidatos da UMP que retirou a sua candidatura.
“Quando ouço as propostas de Marine Le Pen, que esteve ausente da marcha que se realizou após os atentados” ao Charlie Hebdo, “penso que é melhor ganhar o PS, mesmo que eu os combata a nível departamental”, conclui Mangin que critica a estratégia do “nem-nem” seguida pelo partido.
As eleições departamentais
As eleições departamentais realizam-se este ano pela primeira vez e vieram substituir as eleições cantonais. Este ato eleitoral passa a realizar-se todos os seis anos para eleger os membros dos Conselhos Departamentais. O Conselho funciona como a assembleia dos departamentos, uma unidade geográfica e política que se encontra entre as regiões e os municípios.
Cada um dos 2054 cantões (círculos eleitorais) elege dois deputados departamentais, um homem e uma mulher que figuram na mesma lista. Esta foi a forma apresentada pelos responsáveis gauleses para assegurar a paridade de género nos órgãos departamentais.
Para ser eleito à primeira volta, o par de candidatos tinha de obter mais de 50% dos votos no seu círculo. Mesmo assim, só ficaria eleito se, pelo menos, 25 por cento dos eleitores inscritos tivessem ido às urnas.
Na primeira volta de dia 22 de março, foram já eleitos 149 pares de deputados departamentais, dos quais 82 fazem parte das listas apoiadas pelo partido de Nicolas Sarkozy e 20 das alas da esquerda apoiadas pelo partido do Presidente François Hollande.
A Frente Nacional de Marine Le Pen conseguiu eleger quatro pares de deputados departamentais na primeira volta.
Na segunda volta serão atribuídos os restantes 3810 postos de conselheiro departamental, ou seja, serão eleitos 1905 pares de deputados.
Tal como nas eleições legislativas portuguesas, a eleição de deputados acaba por traduzir quem irá exercer o poder executivo e é isso mesmo que está, em última instância, em jogo. A Assembleia terá a responsabilidade de eleger o novo Presidente do Conselho Departamental que exercerá o poder executivo.
O que são os departamentos?
Os departamentos são agrupamentos que aglomeram municípios. Por sua vez, estes são agrupados numa das regiões francesas. A título de exemplo, o departamento do Val-de-Marne, na periferia de Paris, tem um orçamento superior a 1,6 mil milhões de euros para 2015 – mais do dobro do orçamento do município de Lisboa. Vivem no Val-de-Marne mais de 1,3 milhões de pessoas.
Os departamentos não são meras unidades territoriais, sendo um dos instrumentos de descentralização em França. Estes têm, por exemplo, muito mais competências do que os distritos portugueses.
Existem, ao todo, 101 departamentos, 96 dos quais no território metropolitano. Estes têm responsabilidades, nomeadamente, na conservação de algumas estradas, desenvolvimento dos transportes públicos, escolas, apoio às famílias e no que diz respeito à inserção profissional.
Os departamentos têm ainda responsabilidades ao nível da saúde, do apoio à cultura e no apoio à terceira idade e aos portadores de deficiência.
Marine à conquista do poder
Os resultados totais nacionais são relevantes, essencialmente, nas eleições presidenciais. Nas legislativas e nas departamentais, o fundamental é o número de deputados eleitos, que pode ser completamente diferente da percentagem de votos.
No entanto, os números têm uma importante leitura simbólica - representam a ascensão do partido de extrema-direita, o que faz soar os alarmes. Os jornalistas de Le Monde consideram que a situação é mais grave do que a de 2002, quando Jean-Marie Le Pen conseguiu chegar à segunda volta das presidenciais.
“Marine Le Pen quer conquistar o poder”, lê-se no editorial do jornal que apela à mobilização dos franceses no próximo domingo, mas não só.
“É preciso estar ciente que a FN pode, um dia, ganhar uma eleição presidencial. É necessário atacar o seu programa, de forma metódica, para mostrar todos os seus perigos. É esta a tarefa dos media, dos intelectuais, dos especialistas (…)”, escreve a redação do jornal que apela também aos partidos dito republicanos.
A ascensão dos partidos de extrema-direita na Europa tem preocupado muitos intelectuais e analistas. Em Portugal, Boaventura de Sousa Santos critica a evolução da Frente Nacional no panorama francês.
“A Frente Nacional tem um conteúdo tóxico altamente problemático para a Europa”, afirmou o sociólogo e professor catedrático, em entrevista ao Jornal 2, dando exemplos como o “colaboracionismo com o nazismo”.
No próximo domingo se ficará a conhecer qual o resultado das eleições departamentais em França. No entanto, o verdadeiro teste à Frente Nacional e aos próprios franceses será mesmo nas eleições presidenciais de 2017.