Marrocos recebe 73 ilegais expulsos de Espanha

Marrocos recebe 73 ilegais expulsos de Espanha

O Ministério do Interior marroquino confirmou que hoje que foram devolvidos quinta-feira a Marrocos 73 imigrantes ilegais que chegaram a Melilla nas últimas tentativas de entrada maciça em território espanhol.

Agência LUSA /

Segundo fonte deste ministério, citada pela agência oficial marroquina MAP, "as autoridades marroquinas aceitaram quinta-feira a repatriação de Espanha de 73 cidadãos subsaarianos, no âmbito da cooperação entre Marrocos e Espanha na luta contra a imigração clandestina".

A mesma fonte refere que as autoridades marroquinas "adoptaram as medidas necessárias para garantir o acolhimento, o alojamento e a assistência médica a estas pessoas, respeitando a sua dignidade".

"Esta acção solidária traduz a vontade das autoridades marroquinas de reforçar a cooperação com Espanha face a este desafio comum", referiu a fonte.

Apesar destas garantias, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou hoje ter localizado "mais de 600 imigrantes ilegais abandonados à sua sorte no deserto do sul de Marrocos", após terem sido expulsos dos enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla.

Várias organizações não governamentais haviam já denunciado que as autoridades marroquinas estão a transportar os imigrantes ilegais, detidos no seu território, para zonas desérticas para dificultar novas tentativas de entrada no espaço europeu.

A repatriação destes imigrantes foi possível graças à reactivação, quarta-feira, de um acordo entre Espanha e Marrocos, assinado em 1992.

Entretanto, a vice-primeira-ministra do Governo espanhol, Maria Teresa Fernandez de la Veja, anunciou hoje que o chefe da diplomacia espanhola, Miguel Angel Moratinos, visita Marrocos na segunda-feira para "abordar vários temas de cooperação", mas sem se referir directamente à questão da imigração ilegal.

Questionada sobre o andamento do inquérito à morte de seis imigrantes ilegais, mortos a tiro quinta-feira pela polícia marroquina durante mais uma tentativa de entrada maciça em Melilla, a governante manifestou a esperança de que durante a visita de Moratinos as autoridades marroquinas possam fornecer mais dados sobre a questão.

A missão da União Europeia (UE) destacada para analisar a questão da imigração ilegal partiu hoje para Marrocos, de acordo com um porta-voz da Comissão Europeia.

"Estamos a lidar com uma situação muito difícil. O objectivo desta missão é analisar o que se passou e ver o que podemos fazer no futuro para impedir que situações destas se repitam", afirmou Friso Roscam-Abbing.

No início desta semana, a Comissão Europeia anunciou que vai disponibilizar 40 milhões de euros para ajudar Marrocos na segurança das suas fronteiras.

Entretanto, o Alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, informou hoje que a agência que dirige mantém "contactos estreitos" com os Governos espanhol e marroquino para garantir a protecção a estes imigrantes.

O ACNUR pretende que "se permita um acesso físico aos pedidos de asilo e que se garanta o estatuto de refugiado a quem tiver direito a ele", afirmou Guterres, reconhecendo, no entanto, que neste caso se trata maioritariamente de imigrantes económicos.

Guterres anunciou ainda o envio em breve de uma missão do ACNUR a Marrocos para avaliar a situação.


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