Masculinismo: relatório do Senado francês apela a "despertar das consciências"

Masculinismo: relatório do Senado francês apela a "despertar das consciências"

O documento, ao qual a Franceinfo teve acesso, apresenta 24 recomendações com o objetivo de tentar conter o fenómeno que visa "aniquilar os direitos das mulheres".

Um Olhar Europeu com Franceinfo / Adicionar como fonte informativa
Nicolas Dewit / Radio France



Um relatório da delegação para os direitos das mulheres do Senado, que a Franceinfo divulga em primeira mão, apela a um "despertar das consciências" face ao aumento do masculinismo, uma ideologia "que visa aniquilar os direitos das mulheres". 

O documento apresenta 24 recomendações para tentar conter o fenómeno.

Elaborado por três senadoras de diferentes formações políticas — Béatrice Gosselin (LR), Olivia Richard (União Centrista) e Laurence Rossignol (PS) —, este relatório é o resultado de sete meses de trabalho, durante os quais foram ouvidos cerca de uma centena de especialistas."Um risco real para a democracia e coesão social"
"As relatadoras apelam hoje a um despertar das consciências", pode ler-se no documento."Ao atacarem o princípio da igualdade entre mulheres e homens, ao procurarem constantemente desvalorizar a voz das mulheres, ao pôr em causa direitos conquistados ao preço de décadas de lutas e ao manifestarem uma misoginia violenta e descarada, os movimentos masculinistas representam um risco real para a nossa democracia e para a nossa coesão social".

"Os masculinismos de hoje não são apenas uma simples 'tendência' nas redes sociais. Constituem um movimento social e político que visa aniquilar os direitos das mulheres e, em última análise, desmantelar os nossos alicerces democráticos", acrescentam as três relatoras. Recordam ainda que, de acordo com um estudo da Universidade de Dublin, bastam apenas 26 minutos para que um jovem receba recomendações online de conteúdos masculinistas.

Entre as principais recomendações, o relatório apela à elaboração de uma estratégia interministerial liderada por uma estrutura única, "encarregada da observação do masculinismo". 

Esta estrutura teria como missão "coordenar as políticas públicas de prevenção e de combate aos movimentos masculinistas". 

As relatoras defendem igualmente "sanear o espaço digital", nomeadamente levando a nível europeu "a ambição de combater o modelo económico das plataformas e redes sociais". O relatório propõe, assim, retirar a capacidade de gerar receitas de "conteúdos sexistas, misóginos e masculinistas», a fim de os privar de receitas publicitárias.
Redes sociais na mira
Na sequência destas recomendações, as senadoras reafirmam o seu apoio à proibição das redes sociais para menores com menos de 15 anos, uma medida defendida pelo governo. 

Pronunciam-se igualmente a favor da criação de uma "multa fixa por delito" para os insultos sexistas cometidos online

Na escola, o relatório apela a que se "garanta a eficácia das sessões de educação para a vida afetiva, relacional e sexual ao longo de todo o percurso escolar".

Por fim, as três autoras defendem que se "garanta a estabilidade financeira do papel das associações feministas na luta contra os movimentos masculinistas" e propõem "transformar o Dia Nacional de Luta contra o Sexismo, a 25 de janeiro, num Dia Nacional de Luta contra o Sexismo e o Masculinismo".

Radio France / 24 junho 2026 05:35 GMT+1

Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa
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