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Médicos estagiários moçambicanos acampados e em greve por subsídio de 10 meses

Médicos estagiários moçambicanos acampados e em greve por subsídio de 10 meses

Cerca de 125 estudantes finalistas de medicina, estagiários no Hospital Central da Beira, iniciaram hoje uma greve por tempo indeterminado, exigindo subsídios em atraso há dez meses, com parte do grupo acampada diante do Ministério da Saúde, em Maputo.

Lusa /

"Os estudantes de medicina no último ano têm direito à remuneração, que é 80% dos salários dos médicos. Então, em junho do ano passado celebrámos os contratos, e com a expetativa de até por aí em outubro começarmos a auferir os valores, só que até então ainda não tivemos nada", lamentou à Lusa Araújo Macuácua, um dos finalistas e integrante do grupo de cerca de vinte estudantes que desde a manhã de hoje se encontra acampado em frente à sede do ministério.

Acrescentou que desde o ano passado o grupo, em atividade no Hospital Central da Beira, o maior do centro do país, teve mais de 30 reuniões com o Governo moçambicano, entre encontros presenciais e virtuais, contudo, frisou, o executivo "sempre promete amanhã".

"Estamos já há 10 meses na província de Sofala sem nenhum tostão", lamentou, assinalando que o grupo só vai sair de frente do ministério e parar com a greve quando forem pagos os subsídios em dívida.

Macuácua acrescentou que a falta de medicamentos e de material médico-cirúrgico no hospital agrava a situação dos estagiários, obrigados muitas vezes a suportar do próprio bolso os custos básicos de trabalho clínico, realidade que, disse, penaliza sobretudo estudantes de famílias sem condições.

"O Governo não consegue trazer medicamento ou promete trazer medicamento e material médico-cirúrgico em 18 meses. Imagina, filho de camponês, como vai se virar? Porque nós temos de levar nosso material médico-cirúrgico para lá, o hospital não oferece nenhuma, só te dá o campo de estágio", explicou.

Segundo Macuácua, muitos estudantes em greve não conseguiram chegar a Maputo por absoluta falta de meios, tendo o grupo presente sido obrigado a vender pertences pessoais e a recorrer a agiotas para financiar a deslocação.

O finalista acrescentou ainda que apesar da extrema precariedade, o grupo decidiu permanecer em frente ao Ministério da Saúde, mesmo sem condições mínimas, dispondo apenas de duas esteiras para descansar e de pouca água para se manter. Disse ainda que os estudantes estão determinados a pernoitar no local quantos dias forem necessários, até receberem uma resposta favorável do Governo sobre o pagamento dos subsídios em atraso.

O setor da saúde enfrenta, há quatro anos, greves e paralisações convocadas pela Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), e o Sistema Nacional de Saúde moçambicano enfrentou também, nos últimos três anos, diversos momentos de pressão, provocados por greves de funcionários, convocadas pela Associação Médica de Moçambique (AMM) e exigindo melhorias das condições de trabalho.

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