Meditação para crianças visa a hiperactividade mas também a timidez

Meditação para crianças visa a hiperactividade mas também a timidez

O stress chegou às crianças e, com ele, as técnicas de relaxamento, nas quais se inclui a meditação, que procura acalmar os mais irrequietos, incentivar o auto-conhecimento e contribuir para a socialização dos mais novos.

Agência LUSA /

"Um dos objectivos principais da meditação para crianças é dar a estas conhecimento sobre si próprias", afirmou Patrícia Almeida, que trocou o curso de Turismo pelas técnicas de relaxamento, tendo formação em massagem terapêutica.

O certificado de "facilitadora de meditação" é norte-americano, "pois nos Estados Unidos a meditação para crianças é bastante utilizada, nomeadamente antes das aulas, com resultados muito bons ao nível do rendimento escolar", acrescentou Patrícia Almeida.

O seu método passa por exercícios de respiração abdominal - a respiração "barriga de balão", como a apresenta às crianças - e por histórias que vai criando, "puxando pela imaginação" e desafiando os mais pequenos a "criarem um final para a história".

"Se a respiração abdominal é importante para facilitar a oxigenação das células, as histórias, que têm sempre algo de irreal, ajudam a criança a conhecer-se melhor", explicou a responsável pelo projecto ZuddhaKidz.

A orientar sessões desde Outubro de 2006 em Lisboa e Setúbal - e com Cascais em vista para Setembro - Patrícial Almeida tem já um leque de casos peculiares, como o de "um menino de 4 anos que era tão politicamente correcto que não se conseguia libertar e ser criança".

O curso de meditação é composto por oito sessões, uma por semana "e sempre diferentes", e custa 120 euros, tendo os irmãos 25 por cento de desconto.

Quatro sessões por mês, a um preço total de 25 euros (com a possibilidade de a pessoa optar por sessões individuais a sete euros cada) é também a prática de Susana Pinho, que é formada em Direito mas orienta meditação para crianças em Sintra.

"A ideia ocorreu-me há quatro anos, quando, estando eu a fazer meditação, a minha filha de 1 ano se sentou ao meu lado para fazer o mesmo mas à maneira dela", recordou à Lusa.

Segundo Susana Pinho, "as crianças com mais de 4 anos já conseguem estar nas sessões sozinhas, mas os exercícios podem ser realizados até por um bebé de ano e meio, se ficar ao colo dos pais".

Ao contrário de Patrícia Almeida, para quem, uma vez aprendidas as técnicas, "a meditação pode ser realizada pela criança sozinha, em casa ou noutro lugar", Susana Pinho considera preferível "a realização dos exercícios em grupo".

As sessões de meditação, com uma duração que varia entre 45 minutos e uma hora, "ajudam as crianças ao nível da concentração e conseguem torná-las menos agressivas, resultando muito bem em casos de hiperactividade e insucesso escolar", assegurou Susana Pinho.

Tendo trabalhado, em Azeitão, com crianças oriundas de famílias problemáticas, Susana Pinho considerou que "estas foram as mais receptivas".

Exemplificando com o caso "de um miúdo muito agitado que foi precisamente o que melhor aderiu à meditação", Susana Pinho sublinhou, porém, que a meditação não se destina apenas aos mais irrequietos, "podendo ajudar crianças tímidas, com falta de auto-estima ou de segurança ou com dificuldades de socialização".

"Ocupar a criança com ela própria" é a forma como Paula Farinhas, mentora do espaço Criançarte, em Setúbal, e mãe de uma menina com 2 anos, descreve a meditação para crianças.

O Criançarte acolheu já "três sessões experimentais, gratuitas e dirigidas à população em geral, nas quais estiveram crianças com idades entre os 7 e os 13 anos".

"A experiência foi bastante interessante, até por terem participado três ou quatro pares de meninas gémeas, e permitiu-me comprovar que a meditação pode melhorar a qualidade de vida das crianças", concluiu Paula Farinhas.

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