Michael Howard remodela "gabinete sombra" e promove caras novas
O chefe do partido conservador britânico, Michael Howard", remodelou o seu "gabinete sombra", fazendo entrar alguns jovens reformistas, dias depois de ter perdido as eleições legislativas e numa altura em que se perfila uma batalha pela direcção do partido.
David Cameron, um jovem conservador considerado como um possível sucessor de Michael Howard, torna-se o porta-voz (ministro sombra) para a Educação. Teve uma ascensão rápida desde a sua eleição para a Câmara dos Comuns em 2001, tornando-se vice-presidente do partido, e depois porta-voz para o governo local.
George Osborne, uma estrela em ascensão do partido, torna-se ministro sombra das Finanças aos 33 anos. Antigo jornalista, só é deputado desde 2001 mas fez-se notado como conselheiro e a redigir discursos.
Na Grã-Bretanha, os dois grandes partidos da oposição formam sistematicamente um governo sombra, com papéis tão definidos como o verdadeiro governo.
Outro sucessor possível de Howard, Malcom Rifkind, antigo ministro da Defesa (1992-95) e dos Negócios Estrangeiros (1995-97) de John Major, torna-se porta-voz (ministro sombra) encarregado do Trabalho e das Reformas.
Rifkind dará assim a réplica a David Blunkett, uma das vedetas do novo governo trabalhista, que Tony Blair remodelou sexta-feira.
David Davis continua a ser o porta-voz dos Tories para os assuntos internos. Também ele é considerado como um possível sucessor de Howard, um ex-ministro de Margaret Thatcher que anunciou sexta- feira, um dia depois do fracasso dos conservadores nas legislativas, o desejo de renunciar.
Francis Maude, um reformador de 51 anos com reconhecido espírito analítico, é nomeado presidente do partido, na altura em que este é chamado a reflectir sobre a sua identidade e o seu futuro depois de ter perdido três eleições sucessivas.
Deputado em 1983, teve diversos cargos em ministérios na época de Margaret Thatcher, mas a perda do lugar de deputado em 1992 barrou- lhe o caminho a cargos ministeriais.
Reeleito depois em 1997, na altura em que os Tories passaram para a oposição, foi sucessivamente seu porta-voz para a Cultura, Media e Desporto, depois para a Economia e, mais tarde, para os Negócios Estrangeiros.
Partidário de Michael Portillo, candidato à liderança do partido em 2001, tornou-se um deputado de base, advogando uma reforma do partido, e criou um "think tank" (centro de reflexão).
Oliver Letwin renunciou ao cargo de ministro sombra das Finanças, que estava em conflito com os seus interesses financeiros, ficando como porta-voz para os assuntos de ambiente, da alimentação e dos assuntos rurais.
Michael Ancram mantém a pasta de ministro sombra da Defesa.